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segunda-feira, 6 de julho de 2026

A "conversa" do João Baião

 


 Os jogos de sorte e azar nunca me deram para o vício. Nem pequeno, nem grande. Vício, dos grandes, durante anos, foi o cigarro — esse companheiro teimoso — intercalado, na minha “idade de armar aos cucos”, com as fumaradas lentas e saborosas dos meus cachimbos. Ainda guardo, como relíquia, uma embalagem virgem de “Clan”, que alternava com o “May Flower”...

Quanto aos jogos da Santa Casa de Lisboa, a relação sempre foi moderada: aqui e ali uma raspadinha das baratas, o Euromilhões para manter a esperança acesa, e pouco mais. “Vamos lá a ver se hoje é o meu dia de sorte” — nunca foi, mas continuo amigo do Jorge, da Vitocális de Côja, que não tem culpa nenhuma de eu não ser bafejado pela fortuna.

Já os concursos televisivos de valor acrescentado… confesso que nunca me seduziram. Por mais simpáticos que sejam os apresentadores — como a dupla João Baião e Diana Chaves — aquelas chamadas insistentes às “donas Maria” e “Etelvina” nunca me convenceram a largar o telefone. “Ligue agora, dona Maria… faça uma pausa no almocinho, dona Etelvina…”, e por aí fora.

Até que, num destes dias de canícula, estava eu resguardado em casa, a televisão ligada na SIC, mas sem grande atenção ao programa, quando o “nosso amigo” João Baião soltou uma das suas tiradas de ocasião:

— “Ó senhor Carlos, deixe lá o computador e faça uma chamadinha… pode ser hoje que a sorte lhe bate à porta. Ligue, já!”

A conversa era comigo? Por acaso, eu estava mesmo com o portátil. E, por acaso, sou Carlos.

Fiz a chamada, como o João Baião tinha “pedido”. Esperei, esperei… e nada. Silêncio. Nem um toque de esperança.

Lá se foram os 3.500 euros, que vinham mesmo a calhar para eu e a Lurdes voltarmos aos Açores. Já me imaginava a aterrar na Terceira com aquele sorriso de quem ganhou a batalha à má sorte.

Mas não. A sorte ficou na SIC.

Isso não se faz, amigo.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Sem corantes nem conservantes



Quem tem a sorte de ter um quintal nas traseiras da casa, com engenho e horas de trabalho pode retirar da terra alguns produtos hortícolas cultivados sem "corantes nem conservantes". Foi o que fiz esta manhá, très meses depois da sementeira de batatas - coisa pouca, a enxada nunca foi o meu forte. 
Garanto que a colheita, não sendo nada por aí além, pagou o trabalho e ainda sobraram uns "trocos"... 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O grito do "Tarzan"


O Duarte é assim… uma espécie de meu sobrinho.
Menino ladino e irrequieto (como convém), se tem uma bola por perto, dá uns toques "à Ronaldo", e quando a cama elástica tem espaço para mais um, salta, volteia no espaço - brinca, brinca e brinca (como convém).
Todos os meninos como o Duarte são assim, sadios, alegres e felizes, E os que têm menos do que tem o Duarte, o Kiko e a Nôno, os primos, são outros meninos…
Domingo, no aniversário da Nônô, como de costume, o Duarte fez parte da festa. Depois de uma sessão de saltos “acrobáticos”, uns minutinhos de pausa para recuperar forças. O Duarte, cansado e suado, tirou a tee Shirt, e eu, “tio emprestado”, provoquei-o com doçura:
- Ah… Tarzan!
Ao jeito do herói da minha adolescência, sem delongas, o Duarte brindou-me com um grito... “à Tarzan”, como se prova pela imagem.
Da Jane, a existir, nem sinal…

terça-feira, 8 de maio de 2018

“Primatono”, ou “Ouprima" ?


Não é nada disto que se espera da primavera:
- à noite, uma espécie de cacimbo africano;
- de manhã, neblina – densa, que só visto;
- o  dia cinzentão, frio.
Não fora  o mês, maio, e diria que  estávamos no outono, outubro, talvez.
Pensando bem, a “coisa” não é, como dizer… assim tão  ruim:   hoje, tenho o melhor  de dois  mundos, os meus:  gosto da primavera pelo  colorido da natureza, e do outono pela ausência do calor em excesso. O tempo de agora bem pode  ficar conhecido  como “primatono”, ou “ouprima”, para quem é de inventar  palavras de sorrir antes e depois do batismo.
A língua portuguesa   não está cheia, como um ovo, de  dúvidas etimológicas ? Portanto…
No último domingo, dia 6, aqui para as minhas bandas, o calor foi de verão. Por voltas das quatro da tarde,  a “primavera”  estava de regresso a casa quando… “ai, que vem chuva!”  -  por sorte, logo ali,  adormecido, o guarda chuva   fez “pst, pst…”, anunciou-se,   e eu, numa pressa,  gentil, usei-o. Com a mão direita, depois de aberto,  ergui-o acima das nossas cabeças, e a mão esquerda acompanhou o braço com que a aconcheguei (a “primavera”) – não fosse ela constipar-se com a forte bátega que, entretanto,  caiu das nuvens.
Ainda lhe disse : “… parece que estamos em África”!
Não, não é nada disto que se espera da primavera…

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

"Atirei o pau ao gato to - to / mas o gato to-to não morreu..."




Professora benfiquista muda 'Atirei o Pau no Gato' e gera polémica



"A inocente cantiga Atirei o Pau no Gato se transformou em mais um capítulo da acirrada rivalidade entre Porto e Benfica. A polêmica aconteceu em uma escola infantil de Ericeira, 35 km ao noroeste de Lisboa, em Portugal. Pai de uma menina de 4 anos, o encarregado de educação Eduardo Mendes apresentou queixa formal ao Ministério de Educação do país contra o estabelecimento por exaltar o Benfica em música adaptada para ser cantada pelas crianças.
Segundo a Agência Lusa, que teve acesso ao protesto, o trecho "Vai-te embora pulga maldita/batata frita/viva o Benfica" foi encaixado à música, cantada várias vezes ao dia na escola. O fato indignou Mendes, que se classificou como um torcedor "não muito fervoroso" do Porto.
Na queixa, o pai alega que tal influência compromete o respeito pela diferença, individualidade e civismo, lembrando que "a escola deve ser um espaço onde nem política, nem religião, nem clubismos desportivos devem ser alimentados". "O fato causou indignação ao próprio Porto, que publicou uma nota nesta quinta-feira saudando o "civismo" do torcedor e classificando, de acordo com o clube, o ativismo das escolas públicas aos feitos pelos aiatolás aos adeptos do islamismo, dizendo que o estabelecimento era uma madrassa -que ensina valores do Islã. O FC Porto saúda o civismo do pai e condena este proselitismo feito em escolas públicas, que em vez de ensinarem os valores da liberdade de escolha, ou de opinião, preferem ser uma espécie de "ayatollahs"(sic) das suas próprias preferências", opinou o Porto, que classificou os profissionais da escola como "fascistas". Procurado, o diretor das escolas de Ericeira, Alfredo Carvalho, preferiu não se pronunciar. Mendes afirma que chegou a falar com a professora da filha antes de fazer a queixa ao Ministério da Educação, ao perceber que a prática ocorria desde o início do ano letivo. Mas teria obtido apenas um "quem está mal, muda de escola", além da justificativa de que das 15 crianças da sala da filha, apenas duas não torcem para o Benfica. Por conta dos desdobramentos, Eduardo Mendes já cogita a possibilidade de mudar a filha de escola".
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Publicado em março de 2012

Surripiado daqui:
http://esportes.terra.com.br/futebol/europeu/2012/noticias/0,,OI5679782-EI18009,00-Professora+benfiquista+muda+Atirei+o+Pau+no+Gato+e+gera+polemica.html

domingo, 21 de janeiro de 2018

Eu e o senhor Silva - amigos como dantes


Há um tempito zanguei-me por coisa pouca com o vizinho do terceiro esquerdo. Era chato porque o senhor cruzava-se comigo e eu ficava sem jeito: "olho para ele ou não, digo bom dia ou finjo que não o vejo"? Estas dúvidas atormentavam-me com frequência, ou com a frequência com que passávamos um pelo outro, para ser sincero. Então, resolvi fazer as pazes com o senhor Silva (é o último nome do meu vizinho...) e agora, pelo Natal, desejei-lhe "boas festas", estendendo a mão. Retribuição da praxe, que agradeci. Simpático, este senhor Silva!... - Pronto, pensei, assim é que é bonito, os vizinhos não devem andar desavindos, ainda nos cruzamos em algum sítio público com mais pessoas por perto, e continuaria a ser chato alguém notar a indiferença mútua... 
Confesso que fui um pouco agressivo com ele no dia em que decidi virar-lhe as costas - até fiz por esquecer o seu nome próprio, com o intuito claro de o desconsiderar aos ouvidos de quem estava. Errei, dou a mão à palmatória da professora Georgina, que já morreu, por isso descanse em paz, por mim está perdoada (as reguadas nem sempre eram justas, mas o que lá vai, lá vai). Como se vê, tenho esta mania de esquecer e perdoar os arrufos, as injustiças, etc, etc... 
Entretanto, o senhor Silva candidatou-se ao lugar de presidente do condomínio do prédio que habitamos e não está de modas: organiza um comício junto à porta do elevador, no rés do chão, com a intenção de explicar aos restantes inquilinos as razões da sua candidatura (um ritual de todos os comícios, digo eu...) ! Ainda lhe zumbi ao ouvido que sem um "bebício" era difícil juntar as pessoas, o senhor Silva concordou e deu, de imediato, ordens à técnica da limpeza das escadas para comprar bifanas, "minis" e sumos sem gás. Como sou presidente do clube do bairro e tenho alguma influência (modéstia à parte) junto dos vizinhos do primeiro andar e não só, o senhor Silva, sem qualquer intenção de se aproveitar da minha posição social, é preciso que se diga, convidou-me para estar ao seu lado no dia da festança. E assim foi! Até usei da palavra para afiançar que a nossa desavença foi coisa de putos, hoje somos grandes amigos, enfim.... disse o que a ocasião pedia, do alto meu havano, num jeito tipo democrata: eu é que sei, eu é que mando - essas coisas que sempre se dizem quando se tem um estatuto social como o meu! Agora é esperar pelo dia das eleições, que estão para breve.
...
Publicado em junho de 2009, com o título 

"Amigos para sempre"

sábado, 22 de abril de 2017

Kiko - “papoila saltitante”

A mensagem dizia que (…) o Kiko foi convidado para jogar por uma seleção de jogadores das escolas do Benfica da zona de Coimbra no fim-de-semana passado. Jogou pelos benjamins e pelos infantis e ganhou o torneio em ambos os escalões (…) !

Ora, o Kiko “sou eu” em tempos idos, com os sonhos do Kiko - sonhos iguais aos do Eusébio, do Rui Rodrigues (Académica e Benfica) e do Brassard (Académica), meus “vizinhos”  e adversários em Lourenço Marques…
“Papoila saltitante” (nem que seja uma única vez!) e “ter na alma a chama imensa” só está ao alcance de alguns - dos que o sol (…) “risonho vem beijar/com orgulho muito seu” quem veste (…) “as camisolas berrantes”!

Vestido “à Benfica”, o nosso Kiko já tem memórias para partilhar com  o avô paterno dentro delas…

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sinalzinho de trazer por casa

As pessoas mais chegadas, nos últimos tempos, iam dizendo
- mostra ao médico esse sinalzinho que tens na cara, já mostraste?
Respondia
- não, o sinalzinho é de estimação - atalhava, com o meio sorriso de quem está sem preocupação de maior.
Como o sinalzinho estava implantado junto à orelha, certo dia a escova de cabelo deu-lhe um "chega para lá" e ele, o sinalzinho, não gostou...
Ferido na honra, o sinalzinho nunca mais voltou ao que era antes, sossegado, arrumado. Uma lágrima de Betadine e pronto - cogitava, cioso do meu sinalzinho de trazer por casa.
Para o Doutor Gama, era um não assunto, "mas para ficar descansado vou marcar uma consulta num dermatologista". Chegou a confirmação da consulta, sim, para noventa dias depois!
... Até que entra em cena o "anjo da guarda" que dá pelo nome de Carla, a enfermeira (...) que se assume de corpo inteiro à arte sublime de cuidar do seu semelhante pelo gosto de gostar da sua profissão (...),
Primeiro a Carla, "anjo da guarda", depois o Doutor Eufrásio, o mestre, batizaram o meu sinalzinho com nome de "gente importante": Basalioma!
Importante, era - por ser chato. Só isso!
Depois dos indispensáveis procedimentos, na última segunda feira, no IPO de Coimbra, o meu sinalzinho entregou a alma ao criador - e foi muito bem feito: onde é que "já se viu" um simples sinalzinho dar ares de importante?
Agora, quem avista o penso que resguarda o local onde estava implantado o meu sinalzinho, questiona com riso malandro:
- "Arranjaste namorada com temperamento fogoso, "sem nenhum tipo de frescura" (ler com sotaque brazuca), ou quê?
- Ou quê - respondo!


segunda-feira, 27 de março de 2017

Cimbalino à moda do Porto

Mesmo por cima da minha cabeça, a quilómetros de altura, uns quantos aviões, diariamente, insistem em percorrer os mesmos caminhos, entre a partida e a chegada; eu estou no "meio" da provocação  dos meus sonhos: Açores e Maputo são os  "próximos destinos",  mas ninguém os adivinha. Como não tenho maneira de me fazer ouvir daqui de baixo, os aviões nem "param" para a boleia que lhes peço,  dedo grande no ar...
... O melhor é embarcar num "expresso"  e  sair no Porto. Tenho prometido um "cimbalino" para quando me der jeito a viagem.

(Adaptação de uma croniqueta publicada em outubro  de 2012)

domingo, 19 de março de 2017

Quando sorrir é o melhor disfarce

Fui a uma  consulta de cardiologia.
O médico que me recebeu era simpático e  competente - estou  certo disso...
Não apresento queixas, mesmo assim entendeu que o colesterol precisava de uma ajudinha para vir por aí abaixo na escala dos valores que considera ideais para quem tem problemas cardíacos, como é o meu caso. Vai daí, alterou-me a medicação e foi explicando, tintim por tintim, como serão úteis as diversas substâncias que compõem os novos comprimidos, possivelmente minúsculos, como eram os anteriores.
Fixo a posologia, mas quando percorre caminhos enviesados para o meu entendimento, limito-me a ouvir “palavrões” do estilo: Rosuvastantina, Ezetimiba, Perindopril…
Continuo “sem fala”. 
- “Percebeu?”, perguntou - quer que lhe responda com um sim, não, ou talvez, e eu sorrio, que é a melhor das respostas quando se é leigo no assunto. Acho que todos nós, os doentes, e mesmo aqueles que o não são, devemos "responder" ao médico com um sorriso. O doutor não se obriga a grandes explicações, se dissermos “não, não percebi patavina”, ou então, “sim, senhor doutor, percebi” , ele sabe que estamos (quase sempre) a mentir. Portanto, "sorrir amarelo" é uma boa resposta (se fosse verde, era sinal de que tínhamos percebido; vermelho, seria o mesmo que dizer “troque isso por miúdos"...).
Um "sorriso colorido" é, pois,  a salvação de quem está perante alguém que sabe mais do que nós sobre qualquer matéria, a não ser que estejamos numa sala de aula, onde o mestre tem por missão ensinar e o aluno aprender...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

"Branco é, galinha o põe" - a curva da vida

Este texto  foi partilhado por um amigo que muito estimo, Luís Moura. Agora, faço dele "coisa minha" - cá por coisas, coisas minhas, de  quem "se/tenta"  na curva da vida.
Ao que presumo,  é de autor desconhecido, o que não invalida  que confirme em absoluto esta  "verdade de La palice". 
"Branco é, galinha o põe" - para citar um provérbio "tuga"  -   fiquemos por aqui, pelas palavras...
- Há  lá coisa mais "perfeita" ?



sábado, 28 de janeiro de 2017

Já se vai embora?

A tia Deolinda era  senhora de gentileza sublime. Tinha sentido de humor e até os queixumes sobre a sua avançada idade vinham envolvidos em sorrisos. 
Alegre e divertida na mocidade, por razões que nunca questionei, não chegou a constituir família.
Durante os anos em que privámos, sobretudo durante as visitas de cortesia, recebia com requinte: chá, café e bolinhos servidos em louça ”de marca”, toalhas bordadas à mão, mas o melhor de tudo eram as conversas sobre as suas memórias…
Não sendo senhora de frequência diária, sempre que podia assistia à Missa. Um dia, contava a tia Deolinda, estava tão absorvida nos seus pensamentos que não deu conta que se aproximava o momento da saudação. De repente, a pessoa que estava a seu lado, cumprimentou-a com um aperto de mão e ela, sem saber muito bem que dizer, possivelmente a pensar nas despedidas, continuou, como sempre, a ser gentil e fina no trato com palavras de circunstância, enquanto mantinha a mão que lhe era estendida apertada na sua:
- Já se vai embora? Fique mais um bocadinho…
*
Editado de outra edição - 10.2011

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"Principes" ao sol

Os "rapazes" cá de casa ficaram confusos quando lhes indiquei uma nova cama na marquise, onde não falta um cobertor, dos fofinhos. Os olhares,  admirados com tamanha simpatia,  subiam do "berço"  às minhas mãos, o "tarzan" ronronava, o "saguin" nem por isso; por fim decidiram testar   o cobertor, dos fofinhos, e deram-se por satisfeitos - mentirinha minha, confesso: do que as "crianças" gostam, mal a noite se põe,  é do quentinho  da lareira, como se o sol adormecesse  por ali. Durante o dia, ou  o parque multiusos do quintal ou a mesinha estrategicamente colocada junto à janela da sala  - aí, sim, havendo sol, fica quentinho até tarde...
A jarra em cobre é que paga, volta não volta vem parar ao chão.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O senhor Álvaro

RiTuAL - memórias 21.01.12

*
O senhor Álvaro, delicado no gosto, escolheu o pastel de Belém para afirmar sem pompa o seu (dele) contributo para o enriquecimento do país pela via do pastel. De Ministro pouco visto, num ápice popularizou a sua imagem, não por obra de vulto, mas pela ideia luminosa de transformar a doce iguaria num símbolo nacional, capaz de ombrear fora de portas com o vinho do Porto…
O senhor Álvaro foi sincero nas palavras quando sugeriu o pastel para embaixador do que de melhor (e mais doce!) se produz por cá. Desconheço se existe confraria que represente a especialidade nos altos graus da doçaria; se estiver constituída, o senhor Álvaro deve ser entronizado num dos próximos capítulos…
O senhor Álvaro, não tarda, vai ter seguidores na ideia; depois do pastel, alguns doces conventuais devem estar à espreita de outro Ministro com ideias doces e preocupado com a situação económica do país, embora esteja em crer que o mais certo é surgir no horizonte uma ou outra confraria com sugestão mais robusta – da Chanfana ao Bucho, sem esquecer o Bacalhau, existem “mais do que muitas” associações constituídas por gente de bons costumes, os “confrades”, que se manifestam sem segredos e vestem fardas de estilo.
Se formos a votos, decido-me, pela “Feijoada à Transmontana” !
O senhor Álvaro, um dia, vai ter direito a estátua junto aos Jerónimos, em Belém, e o governo que estiver em funções irá decretar “O Dia do Pastel”, 12 de Janeiro, feriado nacional, mesmo que seja necessário desistir de outra data histórica…

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

- Uma flor é uma "coisa"? E um miau?

... até pode ser um "abuso", mas estas duas "crianças" não deixam de me surpreender . Subir a uma oliveira, das altas? Subir e descer pela latada dos kivis? "Decansar" descontraidamente no cocuruto do telhado do pombal? Corridas desenfreadas pelo quintal? Piruetas? "Lutas" de brincar a toda a hora? Um "assalto" estratégico a tudo quanto seja comida, se estiver "à mão de semar" ? Ronronar no sofá, a meu lado? "Turrinhas" nas minhas pernas? "Pedir" cócegas nas barriguinhas ? Acordar o dono às "oito da madrugada" com pancadinhas na porta do quarto e miaus "doces" ? Os gémeos têm a "resposta na ponta da lingua" !... 
Posso parecer um chato - e sou, quando gosto de pessoas e ...outros animais. E de coisas também...
- Uma flor é uma "coisa"? E um miau?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O segredo do "negócio dos passarinhos"

A sabedoria do povo faz progredir adágios “virais” enquanto o “diabo esfrega um olho”…
É certo e sabido que o “silêncio é de ouro”, “quem anda à chuva, molha-se” - e podia continuar sem limite nas palavras, ao sabor da imaginação. Sim, imaginação - somos todos “imaginativos”, “idiotas” (pessoas com ideias, nada de pejorativo…), “treinadores de bancada”, etc e tal…
Sendo  “o segredo  a alma do negócio”, o melhor é não contar a ninguém que recebemos herança abastada de uma “tia que nunca vimos” (quando for o caso, é bom de ver…).
Ontem aprendi outra, que vai dar ao mesmo, ao segredo como alma do negócio:
- “Não se pode mostrar o ninho, se não ficamos sem os passarinhos”!
Por mim, vou dar asas ao sorriso quando me calhar em sorte o euromilhões! Quero o “ninho” só meu, muito meu!
E os passarinhos, idem!
Pois…

sábado, 5 de novembro de 2016

- "Na falta de noiva..."

Gravatas,  talvez meia centena   as que tenho adormecidas  no guarda fatos. Raramente uso uma que seja, perdi-lhe o jeito...
Fatos completos, quatro, mas apenas um serve de disfarce à barriguinha, pronto a vestir se  "for urgente" cumprir o protocolo de qualquer ato solene. Dos atos solenes fujo a  sete pés - perdi-lhe o jeito...
Ainda no guarda fatos tenho dois  jaquetões "muito jeitosos" e outro tipo de casacos, igualmente jeitosos que brilham com  a minha coleção de calças de ganga  - uso e abuso das ditas, ganhei-lhe o jeito...
Desta vez, foi necessário cumprir o protocolo na receção ao  Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, durante a sua  visita pastoral à Comunidade Interparoquial da Serra do Açor e Vale do Alva.
Vesti o fato completo e usei  gravata - escolhi uma das que guardam memórias de momentos únicos  e cidades cosmopolitas, como Lisboa, Jerusalém, Paris, Berna, Toronto...
"Prontinho da Silva", arrumado  numa camisa em tons de azul, nem parecia eu - eu, sim, sem as inseparáveis calças de ganga...
Telefonei  a  dizer  que chegaria tarde e preveni  as senhoras lá da secretaria que se preparassem para o "susto":  iria aparecer enbonecado, ao jeito de um noivo de Sto António,  gracejei...
A Dília,  com  "elevadíssimo sentido de humor", soltou uma gargalhada e sugeriu, "gentil":
- Na falta  de noiva, está ali fora uma  "simpática velhinha, viúva"... 
Se não fosse cá por coisas, tinha mudado a fatiota.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Travessura de "meter medo"

Acordar  no silêncio da noite com um terramato sonoro dentro de casa é uma travessura de meter medo - e se for  no dia das bruxas, não há cabelo que  assente na careca  de quem a tem. 
Sempre ouvi dizer  que as bruxas existem, sim senhor; ao "vivo" nunca vi nenhuma, Isto é: já fui enfeitiçado por bruxinhas simpáticas, outras lindas de morrer  (há feitiços assim, que "matam" os incautos...), mas  bruxas a "sério", cavalgando  vassouras de  piaçaba, dessas nunca vi, nunca - juro!
Ora, na noite anterior, vésperas da "Feira dos Santos" aqui no meu sítio, por volta das duas, cá em casa, caiu o "teto do mundo"  com o som contínuo de uma campainha, bem mais grave e barulhento que o despertador do rádio que tenho na cozinha - pensei eu. Nada disso: o rádio mantinha o silêncio, pelo sim, pelo não,  desliguei-o da corrente, mas o horror daquele som irritante, doido, doido, continuava a massacrar-me o corpo inteiro e não apenas  a cabeça, tremeliques, tiques tiques, meio desorientada (a cabeça...).
Ah - a campainha! Pois claro, a campainha - era a campainha, uma travessura de bruxas (ou bruxos...) que se passearam na noite no cumprimento de um ritual moderno, importado. 
Abri a porta da rua e dei de caras com  a arma do crime: um palito a pressionar o botão da dita cuja campainha!!!
Pudera, assim também  eu - também  eu era capaz de  travessuras anónimas, a coberto do escuro, sem direito a ser corrido  com palavrões que eu cá sei - todos sabemos! -, em bom português.
Desta vez não tive  alternativa: fiquei com a travessura, que trocava de bom grado por uma mão cheia de doçuras, das que tinha para dar aos bruxinhos da  escolinha do Caracol ao Sol.