quarta-feira, 16 de setembro de 2026

"Casamento por procuração"




Para contar a história da fotografia, que é o pretexto desta croniqueta, temos de recuar aos anos sessenta, época em que foi tirada.

Naquele tempo, em Moçambique — e presumo que em todos os territórios sob administração portuguesa —, estava muito em voga o "casamento por procuração". Por norma, os rapazes residentes nas colónias, ou aqueles que cumpriam o serviço militar na guerra, recorriam a este método por várias razões.

(Devo acrescentar que o meu sentido de humor é ocasional e vem sempre acompanhado por um sorriso...adiante.)

Durante largos anos fiz "graça" com esta fotografia, surpreendendo amigos e familiares ao afirmar que, em tempos, tinha casado por procuração com uma bonita donzela. Perante a "prova", todos acreditavam:

— Ah, não sabia! E não deu certo? Isso de casar por procuração nem sempre resulta, sobretudo quando as pessoas não se conhecem pessoalmente...

Eu fazia cara de pesaroso, por vezes acrescentava pormenores à "estória", mas depois abria um sorriso e desvendava o segredo — para alívio e gargalhadas de todos.

Eu e a Lita  em Almada
- ano de 1951(?)
A imagem, na verdade, mostra uma noiva: a minha prima-irmã Lita, no dia do seu casamento com o Branco, de quem me tornei grande amigo quando regressei a Portugal após o 25 de Abril. Na altura, a Lita vivia em Almada e eu em Moçambique; esta pose fraterna foi a forma gentil e carinhosa que encontrou de me fazer presente e partilhar comigo um dos dias mais importantes da sua vida. Confesso que me comoveu.

Sessenta anos volvidos, recordo os noivos e, de forma singela, presto homenagem ao Branco, que infelizmente já não está entre nós — restando a saudade e as bonitas memórias, sempre presentes.

À minha prima-irmã Lita, desejo as maiores venturas, muita saúde e uma vida longa.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário