Para contar a história da fotografia, que é o pretexto desta croniqueta,
temos de recuar aos anos sessenta, época em que foi tirada.
Naquele tempo, em Moçambique — e presumo que em todos os
territórios sob administração portuguesa —, estava muito em voga o
"casamento por procuração". Por norma, os rapazes residentes nas
colónias, ou aqueles que cumpriam o serviço militar na guerra, recorriam a este
método por várias razões.
(Devo acrescentar que o meu sentido de humor é ocasional
e vem sempre acompanhado por um sorriso...adiante.)
Durante largos anos fiz "graça" com esta
fotografia, surpreendendo amigos e familiares ao afirmar que, em tempos, tinha
casado por procuração com uma bonita donzela. Perante a "prova",
todos acreditavam:
— Ah, não sabia! E não deu certo? Isso de casar por
procuração nem sempre resulta, sobretudo quando as pessoas não se conhecem
pessoalmente...
Eu fazia cara de pesaroso, por vezes acrescentava
pormenores à "estória", mas depois abria um sorriso e desvendava o
segredo — para alívio e gargalhadas de todos.
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| Eu e a Lita em Almada - ano de 1951(?) |
Sessenta anos volvidos, recordo os noivos e, de forma singela, presto homenagem ao Branco, que infelizmente já não está entre nós — restando a saudade e as bonitas memórias, sempre presentes.
À minha prima-irmã Lita, desejo as maiores venturas, muita saúde e uma vida
longa.


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