Barril de Alva, a minha terra padece da maleita invisível que corrói, em silêncio, o peito de todo o interior de Portugal: a lenta agonia da ausência. É um declínio manso, que não faz barulho; acontece na penumbra, no espaço exato entre o último bater de uma porta e o eco vazio que se lhe segue.
Caminhar por estas ruas é pisar a nostalgia. Há um lamento mudo nas paredes de pedra que outrora guardavam o calor das vozes, o rumor dos passos apressados e o riso das crianças que desafiavam o tempo. Hoje, as gentes partiram, e com elas rastejou a própria vida, deixando para trás chaminés frias e janelas que olham o infinito como olhos cansados de esperar.
Ficámos nós, as memórias suspensas no ar e a certeza dolorosa de que a terra só é verdadeiramente viva quando tem quem a sinta, quem a cultive e quem a ame. Sem o seu povo, a minha terra é uma moldura perfeita, mas despida de tela."

