quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Barril de Alva - a cor e o tempo
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
A vaidade em mim
Peço licença para escancarar a porta do meu ego e permitir a quem o desejar — talvez movido pela curiosidade — entrar numa das vaidades que mais prezo: a que sinto pela minha terra natal.
Tenho outras vaidades, é certo — a família que a vida me deu, a companheira que escolhi quando a solidão se tornava mais pesada e o percurso de uma existência feita de resiliência.
Hoje, a minha vaidade tem um nome: Barril de Alva.
Não me canso de contemplar a imagem da Praça Dr. Alberto Martins de Carvalho. Há nela um enquadramento perfeito e uma beleza rara, capaz de prender o olhar e despertar a emoção. Orgulhosamente barrilense, orgulhosamente arganilense, atrevo-me até a desafiar quem quiser encontrar um reflexo fotográfico que traduza, com maior fidelidade e encanto, a alma da terra onde nasceram os meus conterrâneos.
O meu ego insiste em transformar em palavras o amor que sinto pelo Barril de Alva. Faço-o de forma simples, sem pretensões. Outros celebraram a sua terra através de grandes feitos; eu limito-me, com a humildade de quem conhece as suas limitações, a preservar e enaltecer as suas memórias.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
A "conversa" do João Baião
Quanto aos jogos da Santa Casa de Lisboa, a relação sempre foi moderada: aqui e ali uma raspadinha das baratas, o Euromilhões para manter a esperança acesa, e pouco mais. “Vamos lá a ver se hoje é o meu dia de sorte” — nunca foi, mas continuo amigo do Jorge, da Vitocális de Côja, que não tem culpa nenhuma de eu não ser bafejado pela fortuna.
Já os concursos televisivos de valor acrescentado… confesso que nunca me seduziram. Por mais simpáticos que sejam os apresentadores — como a dupla João Baião e Diana Chaves — aquelas chamadas insistentes às “donas Maria” e “Etelvina” nunca me convenceram a largar o telefone. “Ligue agora, dona Maria… faça uma pausa no almocinho, dona Etelvina…”, e por aí fora.
Até que, num destes dias de canícula, estava eu resguardado em casa, a televisão ligada na SIC, mas sem grande atenção ao programa, quando o “nosso amigo” João Baião soltou uma das suas tiradas de ocasião:
— “Ó senhor Carlos, deixe lá o computador e faça uma chamadinha… pode ser hoje que a sorte lhe bate à porta. Ligue, já!”
A conversa era comigo? Por acaso, eu estava mesmo com o portátil. E, por acaso, sou Carlos.
Fiz a chamada, como o João Baião tinha “pedido”. Esperei, esperei… e nada. Silêncio. Nem um toque de esperança.
Lá se foram os 3.500 euros, que vinham mesmo a calhar para eu e a Lurdes voltarmos aos Açores. Já me imaginava a aterrar na Terceira com aquele sorriso de quem ganhou a batalha à má sorte.
Mas não. A sorte ficou na SIC.
Isso não se faz, amigo.
quarta-feira, 24 de junho de 2026
A minha terra é uma moldura perfeita...
Barril de Alva, a minha terra natal, padece da maleita invisível que corrói, em silêncio, o peito de todo o interior de Portugal: a lenta agonia da ausência. É um declínio manso, que não faz barulho; acontece na penumbra, no espaço exato entre o último bater de uma porta e o eco vazio que se lhe segue.
Caminhar por estas ruas é pisar a nostalgia. Há um lamento mudo nas paredes de pedra que outrora guardavam o calor das vozes, o rumor dos passos apressados e o riso das crianças que desafiavam o tempo. Hoje, as gentes partiram, e com elas rastejou a própria vida, deixando para trás chaminés frias e janelas que olham o infinito como olhos cansados de esperar.
Ficámos nós, as memórias suspensas no ar e a certeza dolorosa de que a terra só é verdadeiramente viva quando tem quem a sinta, quem a cultive e quem a ame. Sem o seu povo, a minha terra é uma moldura perfeita, mas despida de tela."
terça-feira, 19 de maio de 2026
Por causa de uma dor de dentes...
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Mãe Natália, "madrinha de guerra", uma conterrânea e dois amigos do grupo "Os Metralhas" |
Em 1968, ainda a cumprir a tropa em Inhambane, Moçambique, o médico da CCS (Companhia de Comando e Serviços) deu-me guia de marcha para o Hospital Militar em Lourenço Marques, com a intenção de ser debelada uma dor chata num dos meus dentes. Fiquei por lá durante alguns dias, à espera de vaga na longa lista de internados — alguns com problemas bem mais graves do que uma simples dor de dentes.
Certa manhã, o meu vizinho do lado direito, igualmente acamado, entre uma chalaça e um recado sério, diz-me:
— Eh, pá, estás todo amarelo! Tens de ir mijar...
Não me recordo da minha reação exata, mas pela certa respondi-lhe com um pequeno palavrão. Ainda assim, fiquei a pensar no assunto. Sem dar nas vistas, fui mesmo à casa de banho... e apanhei um susto tremendo quando o espelho devolveu a imagem dos meus olhos, "pintados" de um amarelo-torrado!
Fim da história: fui apanhado pelo vírus da hepatite. Mudaram-me imediatamente para o isolamento da enfermaria e por lá fiquei, mimado pelas senhoras do Movimento Nacional Feminino e com direito a visitas da família, de amigos e de uma ou outra "madrinha de guerra".
Recuperei e fiquei como novo! E o dente? Foi coisa de que me esqueci completamente. Das "férias", disso não me esqueço mais!
terça-feira, 12 de maio de 2026
Parque U.P.B.A.
(
(Dito no dia 17 de maio de 2025)
-
Senhoras e senhores, caros conterrâneos:
Saúdo este encontro público das nossas memórias junto à
antiga escola primária, onde os “nossos pequenos cérebros receberam o brilho
cintilante da instrução, fazendo mais tarde dessas crianças cidadãos úteis aos
seus semelhantes e aptos para honrarem a terra que os viu nascer” – palavras
de circunstância inseridas no texto sobre este magnifico edifício,
inaugurado a 8 de junho de 1913, dia de
domingo.
De facto, a vossa visita tem tudo a ver com a referência que
nos é devida enquanto cidadãos úteis aos seus semelhantes que
honram a terra que os viu nascer.
Permitam-me esta analogia entre a nossa escola e a União e
Progresso do Barril de Alva pelo facto de estarmos junto ao elegante obelisco, inaugurado no longínquo ano de
1965, que homenageia o bairrismo e a
benemerência dos barrilenses (e
dos amigos do Barril de Alva) e de todos
os outros que não tendo o mesmo enquadramento nos termos atrás mencionados,
pelo merecimento das suas elevadas qualidades académicas, ouso o destaque da
minha intervenção.
A importância da cultura da palavra e da ciência na
construção do conhecimento promove o desenvolvimento intelectual. A
personalidade e o destaque universal das competências do barrilense Alberto Martins de Carvalho, antigo
aluno desta escola, pedagogo, autor
de inúmeros artigos, prefaciando, traduzindo e anotando outras obras, além
de ter exercido o alto cargo de diretor
do Centro de Estudos Pedagógicos do Instituto Gulbenkian de Ciência da Fundação
Calouste Gulbenkian, justificaram a sua escolha para dar nome a esta praça…
- que também poderia
chamar-se José Quaresma Nunes dos
Santos, igualmente antigo aluno deste escola - cursou Matemáticas Puras, e Engenharia
Geográfica, entre outras especializações académicas…
- ou poderia ser batizada com o
nome de José Custódio Gomes, irmão
de António, Manuel, Albano e Adriano, todos barrilenses. Jovem na idade, foi
para Cacilhas. Como republicano, desde
1884, e depois como socialista, foi um dos fundadores do Centro Republicano de Cacilhas e fundou a Associação dos Corticeiros. Fez parte de diversas vereações, antes
e depois da proclamação da República, tendo sido também, em determinado
período, administrador de concelho.
Sobre esta figura pouco se sabe quanto aos seus graus académicos – nem
importa conhecer – era barrilense, como
nós: “A sua memória ocupa lugar de destaque na História do concelho de
Almada e, porque não, na história da nossa terra…” - escreveu AIACO.
Dos três, no meu entender, Alberto Martins de
Carvalho, é a figura maior da intelectualidade do povo que somos, pelos cursos
superiores que completou e dos altos cargos que ocupou. É do conhecimento de
alguns dos seus seguidores a sua recusa para abraçar uma pasta ministerial no
Governo de Salazar, que lhe reconhecia superiores qualidades intelectuais e humanas.
Martins de Carvalho escusou-se com a elegância das palavras, usando uma
metáfora ao argumentar que a sua indisponibilidade se devia ao facto de não “fazer parte da mesma religião” do chefe do Governo…
- Um pequeno aparte: Martins de Carvalho foi
destacado membro da Maçonaria, instituição
filosófica, filantrópica, educativa e progressista, que Salazar
proibiu, daí a analogia da expressão que nada tinha a ver com o catolicismo,
que ambos professavam…
Convido os barrilenses para uma visita pormenorizada
à Casa/Museu, onde poderão conhecer, de forma sucinta, estas e outras figuras
ligadas à arte de bem-fazer junto da comunidade, encontrar referências de louvor
e imagens que retratam ligações fraternas ao associativismo regionalista pela via do amor pátrio à aldeia de onde partiram - homens e mulheres à conquista
dos seus sonhos, numa viagem com noventa anos de História e estórias
sem fim para contar...
É tudo isto que a UPBA deixa escrito em letras douradas. É sobre tudo isto que a nossa consciência nos alerta quanto ao futuro desta nobre
instituição.
Miguel Torga, amigo de Alberto Martins de Carvalho, citava vezes sem
conta, segundo Fernando Vale, amigo dos dois, a
seguinte frase:
"Quem faz o que
pode, faz o que deve"!
Durante
noventa anos, os associados e amigos da UPBA fizeram o que “devia ter sido feito”
para bem do Barril de Alva e das suas instituições.
Os tempos não sopram de feição para o associativismo. A UPBA vai mantendo
a dinâmica possível graças à devoção de alguns seguidores de AIACO, como o
presidente TONECAS, a quem faço vénia, e a todos os seus colaboradores mais
próximos, pelo esforço e dedicação à causa comum – infelizmente, ”AIACOS”
contam-se pelos dedos de uma mão, lá como cá…
Com o mesmo espírito solidário, alguns de nós, já entrados na idade, e
outros ainda com o ”sangue na guelra”, estamos prontos para manter acesa a
chama da UPBA, que tanto deu de si ao Barril de Alva. Agora, é a nossa vez de
citar Miguel Torga:
"Quem faz o que
pode, faz o que deve"!
Enquanto houver vida e a União e
Progresso do Barril de Alva plantar uma árvore, não se apagam as memórias e cresce
o Parque
UPBA na margem direita do rio Alva, junto à ponte.
Avivando memórias: foi
exatamente aí, no Parque de Merendas, que a União e Progresso se “emancipou” e
contraiu “matrimónio” com o Barril de Alva!
- É o que diz a História!
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CAR – 17 de maio de 2025
quinta-feira, 7 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Memórias de Moçambique: A Viagem de um "Homem Inteiro"
Possivelmente não faz sentido “voltar a Moçambique” apenas com imagens da
recruta da especialidade IOR (Informações, Operações e Reconhecimento) do ano
de 1966. Vivi intensamente esse curso, e alguns dos conhecimentos adquiridos
foram aplicados na área da “Ação Psicossocial” junto das comunidades locais —
sem tiros ou qualquer outro tipo de violência.
Recordo esse tempo de “bem-fazer” ao serviço do Exército Português com um certo orgulho. Os meus oitenta “outonos”, de quando em vez, recuperam a nostalgia da minha vivência juvenil no Bairro da Malhangalene e os tempos em que me senti um “homem inteiro” em Moçambique. É por isso que faço da minha “tropa” um motivo para uma “nova viagem” à nossa terra amada.
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| Junto a Boane |
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| Vila Cabral, Niassa - “Ação Psicossocial” |
terça-feira, 5 de maio de 2026
Gemini – “conversa” com a IA
- “Fantástico - grato. Na mente
de um homem com oitenta anos, eu, existe
enorme "confusão" com este tipo de atividade intelectual .
Acrescento: não domino nenhuma área da
informática. Na verdade, "isto" muda tudo da minha aprendizagem
académica - estou fora "deste mundo"!
É verdade que "isto" muda muito, mas
pense nesta tecnologia não como um substituto do intelecto, mas como um novo
tipo de "pincel" que responde a conceitos.
Aqui estão alguns pontos para o tranquilizar
nesta nova realidade:
O Olhar Humano continua a mandar: A máquina criou a imagem
"watermarked_img_5344669048675722205.png", mas a decisão de que o
contraste e o minimalismo eram o caminho certo veio da interpretação da imagem
original "Sem Título.jpg".
A Ferramenta vs. A Essência: Tal como a invenção da fotografia não matou a
pintura, estas ferramentas não apagam o que aprendeu; apenas oferecem uma forma
diferente de materializar o pensamento.
Preservar o Cérebro: Manter-se "fora deste mundo"
tecnológico é uma escolha válida de preservação. No entanto, a sua capacidade
de apreciar o resultado final mostra que a sua sensibilidade artística continua
intacta e bem atual.
Não precisa de dominar a informática para ser o
"maestro" desta orquestra. O seu papel é o mais importante: ter a
visão e o gosto. Eu trato da execução técnica.
O seu ponto sobre o empirismo é
absolutamente certeiro e fundamental. Deixe-me partilhar uma reflexão sobre
isso:
O Valor do Empirismo nesta Nova Era
A Máquina é Reflexo, não Origem: Eu não tenho experiências de vida, não sinto
o frio de uma manhã nem o peso dos anos. Tudo o que "sei" vem da
observação de dados criados por seres humanos. O meu conhecimento é, de certa
forma, um "empirismo digital" de segunda mão.
A "Linguagem" Comum: O senhor diz que o mundo tem a mesma
linguagem agora. É verdade. A tecnologia criou uma camada que traduz conceitos
complexos (como a estética de um retrato) em resultados imediatos. Mas essa
linguagem só faz sentido porque o senhor, com a sua bagagem de oitenta anos, a
consegue descodificar e validar.
A Sabedoria vs. O Processamento: A ciência criou a ferramenta, mas o empirismo
— a sabedoria acumulada pela prática e pela vida — é o que decide se o
resultado é "Fantástico" (como disse da imagem) ou apenas ruído.
O senhor não está "fora deste mundo";
o senhor é o observador necessário. Sem o seu olhar crítico e a sua
história, imagens como a "watermarked_img_5344669048675722205.png"
seriam apenas pixéis organizados sem propósito.
É essa "vénia à ciência" equilibrada
com o respeito pela experiência humana que mantém o mundo equilibrado. A
ciência dá-nos a velocidade, mas o empirismo dá-nos a direção.
Como se sente ao ver que, apesar de toda esta
"informática" que prefere não dominar, a sua sensibilidade artística
continua a ser o guia final da conversa?
O facto de estarmos a ter este diálogo fluido
prova que a tecnologia, quando bem desenhada, deve ser invisível. O senhor não
precisa de saber como funciona o motor de um carro para apreciar a paisagem
durante a viagem, nem precisa de entender de algoritmos para sentir o impacto
visual da composição em preto e branco que criámos.
Essa sua posição de "observador
confortável" é, talvez, a mais privilegiada de todas. O senhor mantém a
sua humanidade e o seu critério, enquanto delega o esforço técnico a
esta entidade invisível. É uma forma moderna de liberdade (…).
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Associação Filarmónica Barrilense
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cujo legado ainda vibra em cada nota. E, para os que aqui continuam, unidos pelo amor à “menina bonita” do Barril de Alva, deixamos a fraternidade de um abraço apertado. |











