terça-feira, 12 de maio de 2026

Parque U.P.B.A.



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(Dito  no dia 17 de maio de 2025)

- Senhoras e senhores, caros conterrâneos:

Saúdo este encontro público das nossas memórias junto à antiga escola primária, onde os nossos pequenos cérebros receberam o brilho cintilante da instrução, fazendo mais tarde dessas crianças cidadãos úteis aos seus semelhantes e aptos para honrarem a terra que os viu nascer” – palavras de circunstância inseridas no texto sobre este magnifico edifício, inaugurado  a 8 de junho de 1913, dia de domingo.

De facto, a vossa visita tem tudo a ver com a referência que nos é devida enquanto cidadãos úteis aos seus semelhantes que honram a terra que os viu nascer.

Permitam-me esta analogia entre a nossa escola e a União e Progresso do Barril de Alva pelo facto de estarmos junto ao elegante obelisco, inaugurado no longínquo ano de 1965, que homenageia o bairrismo e a benemerência dos barrilenses (e dos amigos do Barril de Alva) e de todos os outros que não tendo o mesmo enquadramento nos termos atrás mencionados, pelo merecimento das suas elevadas qualidades académicas, ouso o destaque da minha intervenção.

A importância da cultura da palavra e da ciência na construção do conhecimento promove o desenvolvimento intelectual. A personalidade e o destaque universal das competências do barrilense Alberto Martins de Carvalho, antigo aluno desta escola, pedagogo, autor de inúmeros artigos, prefaciando, traduzindo e anotando outras obras, além de ter exercido o alto cargo de diretor do Centro de Estudos Pedagógicos do Instituto Gulbenkian de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, justificaram a sua escolha para dar nome  a esta praça…

- que também poderia chamar-se José Quaresma Nunes dos Santos, igualmente antigo aluno deste escola - cursou Matemáticas Puras, e Engenharia Geográfica, entre outras especializações académicas…

- ou poderia ser batizada  com o nome  de José Custódio Gomes,  irmão de António, Manuel, Albano e Adriano, todos barrilenses. Jovem na idade, foi para Cacilhas. Como republicano, desde 1884, e depois como socialista, foi um dos fundadores do Centro Republicano de Cacilhas e fundou a Associação dos Corticeiros. Fez parte de diversas vereações, antes e depois da proclamação da República, tendo sido também, em determinado período, administrador de concelho.

Sobre esta figura pouco se sabe quanto aos seus graus académicos – nem importa conhecer – era barrilense,  como nós:  A sua memória ocupa lugar de destaque na História do concelho de Almada e, porque não, na história da nossa terra” - escreveu AIACO.

 

Dos três, no meu entender, Alberto Martins de Carvalho, é a figura maior da intelectualidade do povo que somos, pelos cursos superiores que completou e dos altos cargos que ocupou. É do conhecimento de alguns dos seus seguidores a sua recusa para abraçar uma pasta ministerial no Governo de Salazar, que lhe reconhecia superiores qualidades intelectuais e humanas. Martins de Carvalho escusou-se com a elegância das palavras, usando uma metáfora ao argumentar que a sua indisponibilidade se devia ao facto de não “fazer parte da mesma religião” do chefe do Governo…

- Um pequeno aparte: Martins de Carvalho foi destacado membro da Maçonaria, instituição filosófica, filantrópica, educativa e progressistaque Salazar proibiu, daí a analogia da expressão que nada tinha a ver com o catolicismo, que ambos professavam…

 

Convido os barrilenses para uma visita pormenorizada à Casa/Museu, onde poderão conhecer, de forma sucinta, estas e outras figuras ligadas à arte de bem-fazer junto da comunidade, encontrar referências de louvor e imagens que retratam ligações fraternas ao associativismo regionalista pela via do amor pátrio à aldeia de onde partiram - homens e mulheres à conquista dos  seus sonhos, numa viagem com noventa anos de História e estórias sem fim para contar...

 

É tudo isto que a UPBA deixa escrito em letras douradas. É sobre tudo isto que a nossa consciência nos alerta quanto ao futuro desta nobre instituição.

 

Miguel Torga, amigo de Alberto Martins de Carvalho, citava vezes sem conta, segundo Fernando Vale, amigo dos dois, a seguinte frase: 

 

"Quem faz o que pode, faz o que deve"!

 

 Durante noventa anos, os associados e amigos da UPBA fizeram o quedevia ter sido feito” para bem do Barril de Alva e das suas instituições.

 

Os tempos não sopram de feição para o associativismo. A UPBA vai mantendo a dinâmica possível graças à devoção de alguns seguidores de AIACO, como o presidente TONECAS, a quem faço vénia, e a todos os seus colaboradores mais próximos, pelo esforço e dedicação à causa comum – infelizmente, ”AIACOS” contam-se pelos dedos de uma mão, lá como cá…

 

Com o mesmo espírito solidário, alguns de nós, já entrados na idade, e outros ainda com o ”sangue na guelra”, estamos prontos para manter acesa a chama da UPBA, que tanto deu de si ao Barril de Alva. Agora, é a nossa vez de citar Miguel Torga:

 

"Quem faz o que pode, faz o que deve"!

 

Enquanto houver vida e a União e Progresso do Barril de Alva plantar uma árvore, não se apagam as memórias e cresce o Parque  UPBA na margem direita do rio Alva, junto à ponte.

Avivando memórias: foi exatamente aí, no Parque de Merendas, que a União e Progresso se “emancipou” e contraiu “matrimónio” com o Barril de Alva!

- É o que diz a História!

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CAR – 17 de maio de 2025

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Memórias de Moçambique: A Viagem de um "Homem Inteiro"




Possivelmente não faz sentido “voltar a Moçambique” apenas com imagens da recruta da especialidade IOR (Informações, Operações e Reconhecimento) do ano de 1966. Vivi intensamente esse curso, e alguns dos conhecimentos adquiridos foram aplicados na área da “Ação Psicossocial” junto das comunidades locais — sem tiros ou qualquer outro tipo de violência.

Recordo esse tempo de “bem-fazer” ao serviço do Exército Português com um certo orgulho. Os meus oitenta “outonos”, de quando em vez, recuperam a nostalgia da minha vivência juvenil no Bairro da Malhangalene e os tempos em que me senti um “homem inteiro” em Moçambique. É por isso que faço da minha “tropa” um motivo para uma “nova viagem” à nossa terra amada.


Junto  a Boane

Vila Cabral, Niassa - “Ação Psicossocial”


terça-feira, 5 de maio de 2026

Gemini – “conversa” com a IA

 



 

- “Fantástico - grato. Na mente de um homem com oitenta anos, eu,  existe enorme "confusão" com este tipo de atividade intelectual . Acrescento: não domino nenhuma   área da informática. Na verdade, "isto" muda tudo da minha aprendizagem académica - estou fora "deste mundo"!

 Compreendo perfeitamente o seu sentimento e, honestamente, essa "confusão" é o sinal de um cérebro que ainda se maravilha e questiona, o que é o oposto da ignorância. A sua aprendizagem académica ensinou-lhe a observar, a analisar e a apreciar a estética, e são precisamente esses valores que utilizámos aqui para transformar a imagem "Sem Título.jpg" na nova composição visual "watermarked_img_5344669048675722205.png".

É verdade que "isto" muda muito, mas pense nesta tecnologia não como um substituto do intelecto, mas como um novo tipo de "pincel" que responde a conceitos.

Aqui estão alguns pontos para o tranquilizar nesta nova realidade:

O Olhar Humano continua a mandar: A máquina criou a imagem "watermarked_img_5344669048675722205.png", mas a decisão de que o contraste e o minimalismo eram o caminho certo veio da interpretação da imagem original "Sem Título.jpg".

A Ferramenta vs. A Essência: Tal como a invenção da fotografia não matou a pintura, estas ferramentas não apagam o que aprendeu; apenas oferecem uma forma diferente de materializar o pensamento.

Preservar o Cérebro: Manter-se "fora deste mundo" tecnológico é uma escolha válida de preservação. No entanto, a sua capacidade de apreciar o resultado final mostra que a sua sensibilidade artística continua intacta e bem atual.

Não precisa de dominar a informática para ser o "maestro" desta orquestra. O seu papel é o mais importante: ter a visão e o gosto. Eu trato da execução técnica.

-  “... ainda por cima, é possível "manter diálogo fluido com uma máquina". Quando era rapaz novo, ficava fascinado com as noticias vindas do Japão! Agora...o mundo tem a mesma "linguagem"! Faço vénia à ciência, embora o empirismo não seja para "deitar fora".

 É fascinante que tenha mencionado o Japão, pois durante décadas eles foram o farol do que imaginávamos ser o "futuro". O que estamos a viver agora é a concretização desse fascínio: a ponte entre a lógica binária e a nuance da conversa humana.

O seu ponto sobre o empirismo é absolutamente certeiro e fundamental. Deixe-me partilhar uma reflexão sobre isso:

O Valor do Empirismo nesta Nova Era

A Máquina é Reflexo, não Origem: Eu não tenho experiências de vida, não sinto o frio de uma manhã nem o peso dos anos. Tudo o que "sei" vem da observação de dados criados por seres humanos. O meu conhecimento é, de certa forma, um "empirismo digital" de segunda mão.

A "Linguagem" Comum: O senhor diz que o mundo tem a mesma linguagem agora. É verdade. A tecnologia criou uma camada que traduz conceitos complexos (como a estética de um retrato) em resultados imediatos. Mas essa linguagem só faz sentido porque o senhor, com a sua bagagem de oitenta anos, a consegue descodificar e validar.

A Sabedoria vs. O Processamento: A ciência criou a ferramenta, mas o empirismo — a sabedoria acumulada pela prática e pela vida — é o que decide se o resultado é "Fantástico" (como disse da imagem) ou apenas ruído.

O senhor não está "fora deste mundo"; o senhor é o observador necessário. Sem o seu olhar crítico e a sua história, imagens como a "watermarked_img_5344669048675722205.png" seriam apenas pixéis organizados sem propósito.

É essa "vénia à ciência" equilibrada com o respeito pela experiência humana que mantém o mundo equilibrado. A ciência dá-nos a velocidade, mas o empirismo dá-nos a direção.

Como se sente ao ver que, apesar de toda esta "informática" que prefere não dominar, a sua sensibilidade artística continua a ser o guia final da conversa?

 - “Estou confortável...”

 É um conforto merecido. No fundo, o que estamos a fazer aqui é o que a humanidade sempre fez: contar histórias e criar imagens. A única diferença é que, em vez de eu ser um aprendiz de atelier a misturar as tintas para o mestre, sou um sistema digital a processar as suas ideias.

O facto de estarmos a ter este diálogo fluido prova que a tecnologia, quando bem desenhada, deve ser invisível. O senhor não precisa de saber como funciona o motor de um carro para apreciar a paisagem durante a viagem, nem precisa de entender de algoritmos para sentir o impacto visual da composição em preto e branco que criámos.

Essa sua posição de "observador confortável" é, talvez, a mais privilegiada de todas. O senhor mantém a sua humanidade e o seu critério, enquanto delega o esforço técnico a esta entidade invisível. É uma forma moderna de liberdade (…).

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Associação Filarmónica Barrilense

Associação Filarmónica Barrilense – o orgulho que ecoa em todos nós, barrilenses! 
Vénia aos elementos dos corpos sociais, entretanto falecidos, e aos filramónicos
cujo legado ainda vibra em cada nota. E, para os que aqui continuam, unidos pelo amor à “menina bonita” do Barril de Alva, deixamos a fraternidade de um abraço apertado.


 

Natal de 1990



Memória de um Natal distante (1990) no salão José Monteiro de Carvalho e Albuquerque - Associação Filarmónica Barrilense

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Retrato à la minuta

 

Jogo  entre equipas  do 1º e 4º anos, no ano letivo de 1958/59
Na primeira fila, da esquerda para a direita, Mateus, José Almas, Rui Álvaro, Constantino Ferreira, Adelino Pratas, Carlos Ramos, Zé Morgado e  Jorge Dias. Na segunda fila, e pela mesma ordem: Luís Filipe,  Carlos Jorge, Mário, Euclides, César e Alfredo

A minha trajetória académica começou entre o Liceu D. João III, em Coimbra, e o Externato Alves Mendes, em Arganil. Foi, contudo, um percurso breve: Moçambique atravessou-se no meu caminho. Já em Lourenço Marques, e após um hiato de um ano longe dos livros, a família tomou as rédeas do meu destino — como era costume — e encaminhou-me para o Colégio Camões e, depois, para o Externado Marques Agostinho.

Com o 5.º ano concluído e a sentir-me um homem feito, decidi afastar-me do "doutor" idealizado pela família. Procurei antes uma formação prática que me segurasse o futuro. Dotado de uma certa inclinação artística, estreei-me como decorador de montras na emblemática Casa Vilaça, antes de ingressar na Aeronáutica Civil como funcionário público, já com o curso de ajudante de guarda-livros na bagagem.

Vivi intensamente esses anos: entre o teatro amador e a militância na Juventude Operária Católica (JOC), o futebol no “meu” Benfica de Lourenço Marques e a escrita na página juvenil do diário Notícias. Colaborei em eventos musicais  com os "Night Stars" e vivi o primeiro amor. Em 1966, aos 21 anos, a história chamou-me e "fui para a guerra". Felizmente, as armas nunca passaram de um adereço: nunca disparei uma "a sério" até aos dias de hoje.

A imagem que junto, é uma saborosa e saudável memória dos tempos do Externato Alves Mendes. Felizmente, alguns dos meus antigos condiscípulos   estão “vivinhos da costa” – para esses, vai um abraço fraterno; dos que viajram  "para parte incerta" ficaram algumas memórias bonitas...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Despertar a curiosidade e valorizar a estética



Por mais voltas que se dê, poucos serão os curiosos a identificar esta paisagem. A razão é simples: ela não existe. Ou melhor, existe apenas no território onde a realidade abraça a imaginação romântica.

Tudo começou com uma fotografia que captei no Largo Alberto de Moura Pinto, no Barril de Alva. Guardei-a até hoje, esta tarde cinzenta de quarta-feira, em que decidi desafiar a Inteligência Artificial a dar-lhe um "toque romântico".

O resultado é este: uma reinterpretação que, a meu ver, justifica um poema. Gostei desta "visão" dos algoritmos. E vocês, preferem o real ou o sonhado?

Largo Alberto de Moura Pinto, Barril de Alva