Quando a noite vai alta e o burburinho dos dias quentes de verão finalmente adormece, a Praça de Côja veste-se de um silêncio calmo e sereno. As águas do rio Alva, que durante a tarde foram refúgio e alegria de tantos visitantes, correm agora num murmúrio tranquilo. É nesta hora, longe dos olhares da multidão, que se revela também a dedicação de quem continua a trabalhar quando os outros descansam.
Na esplanada da Boutique da Tucha, ponto de encontro por excelência no coração da vila, a jornada ainda não terminou para o Luís António, um bom amigo e comerciante de ideias claras e arrojadas, que muito contribui para o encanto da cosmopolita Praça Dr. Alberto do Valle.
Há dias, em Oliveira do Hospital, encontrei o casal Ferrão, antigos proprietários do Café Portugal. A dada altura da conversa, um deles comentou:
— Ontem fui à sua terra.
— Ao Barril de Alva? — quis saber.
— Não, fomos a Côja, à Praça. Adoramos aquela praça, sempre movimentada e arrumada, como poucas.
Não nasci em Côja, mas a vida fez de mim — como tão bem
dizia o saudoso Padre Dinis — um seu «filho adotivo». É uma condição que honro
e celebro com o coração aberto.
Mas o meu porto de abrigo, a raiz de todas as minhas memórias, é e será sempre o Barril de Alva. Mais do que limites no papel ou decisões administrativas, o Barril de Alva vale pela identidade viva e pelo orgulho de quem o traz no peito. No fundo, é essa a beleza de pertencer: o coração não se divide, multiplica-se — ganha novos afetos, sem jamais esquecer a casa onde aprendeu a bater.





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