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Lenita Gentil e Olga Cardoso no sarau da SFB |
A "amiga" Olga "viajou para parte incerta"
A Sociedade Filarmónica Barrilense comemorou o 101º aniversário nos dia 4 e 5 de novembro de 1995 com pompa e circunstância.
O multifacetado serão do dia 4, além da eleição da “MISS S.F.B.” juntou no palco as cantoras Manuela Bravo, Lenita Gentil e a grande senhora da Rádio, Olga Cardoso, desta vez como intérprete de duas canções inéditas: “O Último A Rir” e “ Bom Dia (Amor)”, single gravado no ano anterior, 1994.
A grandeza do espetáculo superlotou o enorme salão multiusos da coletividade.
Se a talentosa Manuela Bravo, na época, fazia parte da “família barrilense", a grande fadista Lenita Gentil era figura de proa, a que se juntava Olga Cardoso, a “amiga” Olga, que a Rádio Renascença popularizou, e mais tarde a TVI consagrou.
Olga Cardoso, naquela noite, fechou o espetáculo depois das duas horas da madrugada; no camarim, sem dar nota do incómodo pela longa espera, a dado passo manifestou o receio de “… as pessoas, às tantas vão para casa – é tão tarde!”.
Mal sabia a minha querida amiga Olga que o público (também) estava na festa… para a ouvir cantar, o que raramente acontecia!
Deve ser dito que, tarde na noite, Olga Cardoso foi a “grande vencedora” do magnifico serão, com o público de pé, manifestando-lhe carinho com a constância dos aplausos.
Naqueles tempos, os artistas de renome e outros menos conhecidos mas de reconhecido valor artístico que participavam nos espetáculos organizados pela Filarmónica Barrilense, prestavam os serviços profissionais “pro bono” (gratuitamente), dadas as circunstâncias da instituição necessitar de fundos para fazer face às despesas da manutenção das suas imponentes instalações - únicas ma região! - e aquisição de instrumentos.
As notícias da “viagem sem retorno” da “amiga Olga” citaram com pormenor as suas virtudes – faltou acentuar que Olga Cardoso era uma mulher solidária, de palavra franca e assertiva…
Como “Os Barrilenses são Assim”, ficava de mal com a minha consciência se não trouxesse a público esta “estória de trazer por casa” com a intenção de uma vénia a uma senhora que muito estimei e admirei.
- Obrigado, “amiga” Olga!