A minha trajetória académica começou entre o
Liceu D. João III, em Coimbra, e o Externato Alves Mendes, em Arganil. Foi,
contudo, um percurso breve: Moçambique atravessou-se no meu caminho. Já em
Lourenço Marques, e após um hiato de um ano longe dos livros, a família tomou
as rédeas do meu destino — como era costume — e encaminhou-me para o Colégio
Camões e, depois, para o Externado Marques Agostinho.
Com o 5.º ano concluído e a
sentir-me um homem feito, decidi afastar-me do "doutor" idealizado
pela família. Procurei antes uma formação prática que me segurasse o futuro.
Dotado de uma certa inclinação artística, estreei-me como decorador de montras
na emblemática Casa Vilaça, antes de ingressar na Aeronáutica Civil como
funcionário público, já com o curso de ajudante de guarda-livros na bagagem.
Vivi intensamente esses anos: entre o teatro amador e a militância na Juventude Operária Católica (JOC), o futebol no “meu” Benfica de Lourenço Marques e a escrita na página juvenil do diário Notícias. Colaborei em eventos musicais com os "Night Stars" e vivi o primeiro amor. Em 1966, aos 21 anos, a história chamou-me e "fui para a guerra". Felizmente, as armas nunca passaram de um adereço: nunca disparei uma "a sério" até aos dias de hoje.
A imagem que junto, é uma saborosa e saudável memória dos tempos do Externato Alves Mendes. Felizmente, alguns dos meus antigos condiscípulos estão “vivinhos da costa” – para esses, vai um abraço fraterno; dos que viajram "para parte incerta" ficaram algumas memórias bonitas...

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