segunda-feira, 6 de julho de 2026

A "conversa" do João Baião

 


 Os jogos de sorte e azar nunca me deram para o vício. Nem pequeno, nem grande. Vício, dos grandes, durante anos, foi o cigarro — esse companheiro teimoso — intercalado, na minha “idade de armar aos cucos”, com as fumaradas lentas e saborosas dos meus cachimbos. Ainda guardo, como relíquia, uma embalagem virgem de “Clan”, que alternava com o “May Flower”...

Quanto aos jogos da Santa Casa de Lisboa, a relação sempre foi moderada: aqui e ali uma raspadinha das baratas, o Euromilhões para manter a esperança acesa, e pouco mais. “Vamos lá a ver se hoje é o meu dia de sorte” — nunca foi, mas continuo amigo do Jorge, da Vitocális de Côja, que não tem culpa nenhuma de eu não ser bafejado pela fortuna.

Já os concursos televisivos de valor acrescentado… confesso que nunca me seduziram. Por mais simpáticos que sejam os apresentadores — como a dupla João Baião e Diana Chaves — aquelas chamadas insistentes às “donas Maria” e “Etelvina” nunca me convenceram a largar o telefone. “Ligue agora, dona Maria… faça uma pausa no almocinho, dona Etelvina…”, e por aí fora.

Até que, num destes dias de canícula, estava eu resguardado em casa, a televisão ligada na SIC, mas sem grande atenção ao programa, quando o “nosso amigo” João Baião soltou uma das suas tiradas de ocasião:

— “Ó senhor Carlos, deixe lá o computador e faça uma chamadinha… pode ser hoje que a sorte lhe bate à porta. Ligue, já!”

A conversa era comigo? Por acaso, eu estava mesmo com o portátil. E, por acaso, sou Carlos.

Fiz a chamada, como o João Baião tinha “pedido”. Esperei, esperei… e nada. Silêncio. Nem um toque de esperança.

Lá se foram os 3.500 euros, que vinham mesmo a calhar para eu e a Lurdes voltarmos aos Açores. Já me imaginava a aterrar na Terceira com aquele sorriso de quem ganhou a batalha à má sorte.

Mas não. A sorte ficou na SIC.

Isso não se faz, amigo.

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