Em 1975 (?), ao serviço de um semanário, com sede em
Lisboa, criado por um grupo de portugueses retornados à Pátria, do qual fiz parte,
eu e um fotógrafo, de nome João, encetámos uma viagem ao interior do país em
busca de gente como nós, retornados, com o intuito de conhecer o seu estado de
alma, como sobreviviam, colocando as páginas do jornal à sua disposição - espécie de “ponto de encontro” de quem foi apartado
de familiares e amigos.
Quase meio século depois, basta a lembrança deste tópico para
entristecer a imaginação do regresso a um tempo que já “esqueci”…
Durante o percurso, como chefe de equipa, com a anuência
do João, decidi visitar os meus: mãe e avós, entretanto regressados ao Barril
de Alva e à antiga casa de família que, convenhamos, depois de mais vinte anos
com alguma ocupação e pouca manutenção, necessitava de obras urgentes. O avô
Pereira, mestre carpinteiro, usou as poupanças e, aos poucos, fez dela
habitação condigna e confortável.
Hoje “reencontrei-me” com o momento da visita à família -
a foto é um clique do João, excelente fotógrafo, mas sem capacidade de alterar
o cansaço da idade do avô e os sinais do amanho dos campos da mãe Natália, mas
registou a beleza do seu rosto: um jeitinho no penteado, uma roupinha mais
catita, sapatinhos de salto médio, malinha na mão e um pouco de batom nos lábios
e voltava a ser a Natália, funcionária do Hospital Miguel Bombarda de Lourenço
Marques!
Cá por mim, é o que se vê: o rosto “vestia” à moda da época,
sem qualquer aptidão revolucionária - apenas preservei o estilo dos últimos tempos
de residente na capital do distrito de Gaza, João Belo.