terça-feira, 30 de setembro de 2025

Uma cruz num “quadrado mágico”



Fernando Vale: 
“Quem faz o que pode,
faz o que deve”…

Eleições à porta - a aldeia do Barril de Alva, pelo facto de ter ficado sem a sua independência administrativa, não é alheia ao momento histórico de um tempo onde, ao que parece, o povo a  que pertenço se ausenta da sua responsabilidade participativa nos atos eleitorais com a consciência aparentemente tranquila. E se ela, a consciência, tem laivos de rebeldia por algum tipo de descontentamento, é “moda” mudar do “certo para o incerto”.

Sem mais delongas: importo-me com o meu concelho e, naturalmente, com a minha freguesia. Tudo o que vier por bem - dos projetos das ideias à competência dos candidatos - mesmo assim, justifica ponderação de quem tem a obrigação cívica de colocar a preceito uma cruz num “quadrado mágico”. Esse é o momento solene para “apostar no certo” e abandonar a ideia peregrina de que, desta vez, com desdém, se “mandam às malvas” os valores democráticos que sustentam o País que somos.

Por mim, sigo os ensinamentos de Fernando Vale: “Quem faz o que pode, faz o que deve”…


sexta-feira, 5 de setembro de 2025

“O meu desejo de ser útil é inabalável”




Há um tempo para andar de braço dado com a utilidade do bem-fazer junto da comunidade a que pertencemos; quando o intelecto e as forças dão sinal de fraqueza, o melhor mesmo é manter o espírito solidário e disponibilizar algum do conhecimento adquirido ao longo de uma vida sempre que para tal for solicitado.
O meu desejo de ser útil à terra onde nasci, Barril de Alva, e à terra (Coja) que me “adotou como filho”, segundo “decisão sentimental” pública do falecido padre António Dinis em fevereiro de 1982, permanece inabalável.
Depois de recusar outra distinção na lista, aceitei o honroso convite para ocupar o último lugar na candidatura do Partido Socialista à União de Freguesias de Coja e Barril de Alva, assumindo a minha posição solidária e fraterna perante a equipa liderada pelo Jorge Paulo Amaral, a quem perspetivo uma vitória sem rodeios.
Acredito na dedicação e no trabalho de TODOS ao serviço da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva, de acordo com o grau de qualidade e competências de cada membro.
- O que não falta no nosso território é trabalho!

Carlos Alberto Ramos

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Um guardanapo como recordação

 

Lembrança da F.A.V.A.

Na passada sexta-feira, durante o espetáculo da F.A.V.A,, em Coja, o público aderiu ao serão em grande número. O estilo do concerto não “pedia” lugares sentados, mas havia algumas mesas corridas com bancos, cobiçadas pelos espectadores; eu, a Lurdes e mais uns amigos ocupámos uma…
Enquanto as “imperiais” não chegavam, corri o olhar pelo Prado e prestei atenção à mesa, onde estava um papel branco - era um guardanapo, que desdobrei com cuidado, por sorte minha, de outro modo não teria ficado encantado com a minúcia dos pequenos desenhos, obra de alguém dotado com talento e imaginação, a quem teria gostado de parabenizar pela sua arte.
A pequena “tela” veio enriquecer o meu arquivo de recordações semelhantes, alguns da autoria do meu fraterno amigo Carlos da Capela, da Benfeita, do Roby Amorim, antigo colega dos jornais, e de outras personalidades da mesma área com quem tive a honra de privar.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Memórias da "Sibéria"

 

Cervejaria Sibéria - rua do Porto, Lourenço Marques

Em 1962, além de estudar (colégio Marques Agostinho / Camões?) e dos primeiros passos como vitrinista na Casa Vilaça, joguei futebol nos juniores do Sport Lourenço Marques e Benfica. Nos fins-de-semana e tempos extra, havia a J.O.C. da Malhangalene (Juventude Operária Católica) e “OS METRALHAS” (espécie de clube “só” de rapazes ).
À “mão de semear”, na Rua do Porto, havia a Cervejaria Sibéria, onde eu e alguns amigos do bairro confraternizávamos ao redor da mesa com “Laurentinas”, Catembes, Tricofaites” e outras especialidades sem álcool, como os refrigerantes “Tombazana”, Ginger Ale, Coca Cola – água pouco, ou nada.
A casa onde morava ficava virada para a Mercearia Cordeiro, à distância de poucos metros da “Sibéria”.
Guardo memórias desse tempo, mas o grande “marco histórico” de 1962 (e dos convívios na “Sibéria”!) foi a vitória do Benfica sobre o Real Madrid por 5 -3! Pela segunda vez o “nosso” Benfica era campeão europeu!!!
Nesse dia, não havendo TV,  "vimos o jogo" através do relato da Enissora Nacional, muito bem acompanhados por  "loirinhas"  fresquinhas! 

 Estádio Olímpico de Amsterdão,na Holanda - 2 de Maio de 1962. 
Benfica,5 - Real Madrid, 3


Curiosidade
Na fachada do edifício da “Sibéria” existiam uns pequenos desenhos (?) alusivos aos profissionais da construção civil; depois do regresso à terra natal em 1975, tive a honra de conviver com o Dr, Fernando Vale, Maçom e fundador do Partido Socialista, o que me levou a uma “viagem” voluntária pelos caminhos dos Pedreiros Livres, termo que se refere à Maçonaria. 
Continuo na dúvida sobre os “desenhos” da Cervejaria “Sibéria” … 
O edifício da Escola Industrial de Lourenço Marques, em tempos idos, "(...) foi o maior templo maçónico em todo o espaço português e um dos maiores no Sul de África – é o que diz da História.


O tempo de todos os sonhos



terça-feira, 15 de julho de 2025

Um "fato novo"



Visitei o histórico de um blog moribundo e recuperei um texto sobre o Urtigal – coisas do meu agrado (tudo o que leio e escrevo sobre o Barril de Alva são “coisas” do meu agrado…).
Na altura, rematei a peça original com uma ideia poética e agora, depois de reler, ponderei se devia acrescentar mais umas linhas no mesmo estilo. Como a inspiração não abunda nesta tarde de terça-feira, pensei experimentar um “fato novo”, semelhante a outros em voga nos tempos de agora: cliquei na IA da Google e colei a tal “coisa do meu agrado”:

Junto da bica água cristalina
à corrente a caminho do Mondego
e faço do olhar mirante da paisagem
- como é belo o Urtigal !
 
“Gentilmente”, pedi a “alguém do outro lado” que completasse o texto. Segundos depois, “ofereceram-me” um poema catita, que segue, com a devida vénia ao “autor”:

Na sombra, junto à bica,
água cristalina escorre,
um murmúrio que me toca,
paz que a alma me socorre.
À corrente do Alva, ligeira,
sigo o curso, em pensamentos,
a caminho do Mondego.
E faço do olhar mirante fiel,
testemunha da beleza infinda
- um doce mel,
onde a vista se deleita e finda.
Ah, como é belo o Urtigal,
com seu verde que irradia,
um recanto quase irreal,
onde a natureza nos guia.

E é isto.
O "fato novo" não foi feito à minha medida... mas "serve-me"! Se o futuro é “isto”… quem sou eu para “contestar”? 

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Natália - a flor...


 A planta estava moribunda num canto do jardim quando a encontrei. Era a única espécie  que restava do tempo da mãe Natália, que  tinha imensa “sorte” com as flores – era o que eu pensava: bastava um pequeno galho espetado num vaso e, era certo, daí a uns tempos o vaso ganhava outra vida,  mais colorida…


Como não tenho a mesma “sorte” da mãe Natália, levei anos (!!!) a recuperar esta plantinha –  repousar  o olhar nas florinhas amarelas era uma “necessidade”  emocional.

Ontem aconteceu o “milagre das flores” e a mãe Natália “era uma delas”…


quinta-feira, 3 de julho de 2025

- Dê aí uns rebuçados aos miúdos, depois pago…





Além do “Chiado” e do Talho Quaresma, a comunidade do Barril de Alva tinha à disposição outros estabelecimentos comerciais: a taberna do “ti Zé” Candosa, a mercearia do Coelho, os serviços do barbeiro António do Vale (regedor da terra), do tamanqueiro "ti" Albano e de um ferreiro.
Naquele tempo, além da indústria de madeiras, no Barril de Alva havia uma fábrica de bolos secos, propriedade de Joaquim Trindade, duas padarias e o João Abrantes dedicava-se ao fabrico de bonecos de papelão, utilizando moldes próprios.



Um outro espaço comercial, com negócio multifacetado, ao estilo do Chiado, pertencia ao José Valentim, pessoa de muitos saberes e ocupações - além do exercício da sua profissão, era membro ativo dos corpos sociais da Filarmónica e correspondente de jornais.
Junto ao seu estabelecimento,  no outro lado da rua, nos dias de folga jogava-se à “malha”. Os bancos da “esplanada” que se destacam na imagem, ficaram mais baixos depois dos vários arranjos na “avenida” mas, se “falassem”, contavam estórias sem fim, a condizer com a alegria de acertar com a malha no “fito” e dos copos do “tinto” do pipo, que tinha um torneia “sonora”:
-“Cherrrrrrrrrrrriii…”
Eu e outras crianças, da “esplanada”, apreciávamos o entretenimento dos homens.
Às vezes, um jogador pedia ao senhor José Valentim:
- Dê aí uns rebuçados aos miúdos, depois pago…





terça-feira, 10 de junho de 2025

Quando o Largo do Minho era o “coração” da Malhangalene

Largo do Minho - foto retirada da internet
com a devida vénia



A cidade de Lourenço Marques, traçada com mestria a régua e esquadro, cresceu de forma ordenada; cada bairro tinha características específicas, como era o caso da Malhangalene, que se destacava de todos os outros pela dinâmica associativa de várias coletividades, com realce para o Clube que lhe emprestou o nome.
O Largo do Minho, para os mais novos, pelo parque infantil, era o “coração” do bairro e ponto de encontro dos adolescentes, principalmente dos que dispunham das populares motorizadas da marca “ONDA 50”.
Naturalmente, as meninas mais crescidas e bonitas  que moravam no Bairro (e arredores) "atraiam" os galanteadores… motorizados. Que eram muitos e barulhentos!
 
*
 
Estávamos em 1961/2. Aulas durante a semana, ao domingo frequentava a JOC, ia à Missa e, de vez em quando, treinava futebol no 1º de Maio - não era o “meu” Benfica – aconteceu mais tarde – mas como vestiam camisola vermelha, era como se fosse…
Certo dia, no Largo do Minho, conheci a Amélia. Era maneirinha, alegre, de rosto bonito e sorriso contagiante. Morava com os pais no rés-do-chão de uma vivenda no começo da Rua da Guarda, e no primeiro andar, residia a família do Carlos Silva "Canguru", que tocava bateria e foi elemento de destaque dos "meus" Night Stars .
Durante uns tempos "passava" pela Rua da Guarda com mais frequência. A pretexto dos ensaios do meu novo amigo Carlos, fazia “olhinhos” à simpática Amélia - ela do lado de dentro do quintal, os amigos no lado de fora, no passeio; as conversas de ocasião eram puro entretenimento e eu, confesso, tentava disfarçar a minha leve paixoneta…
Como a memória não dá para mais, recordo o meu “desgosto” quando soube que a “minha quase/paixão” namoriscava um jogador de hóquei do Malhangalene, a quem tratavam por “Catrapaz”!

(Uff... um jogador de hóquei em patins usa um “stick” no jogo! Nas mãos de um namorado ciumento pode ser uma autêntica “arma de arremesso”!)
...
-Ainda bem que não me atrevi a entregar à Amélia um cartão com uns certos dizeres, ao estilo do “Namoro”, poema de Viriato da Cruz “ com música de Sérgio Godinho:

“(…) Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou (…)"

Certamente a Amélia também dobrava o canto do “NÃO” - e o “Catrapaz” ? Pois... exsitia mesmo?

*****

Night Stars 
Bob, Mário Ferreira, Noel Cardoso,
Alexandre Rodrigues e Carlos Silva


quarta-feira, 28 de maio de 2025

VICTOCALIS, como sempre


Coja, é a “cidade” mais próxima
da minha bonita e harmoniosa terra natal
– está à “distância das nossas mãos”,
como a Lurdes reconhece pelas contantes idas e vindas…

A grande referência de Coja, de quando eu era criança, é a “HAVANEZA” e os aromas a café a puxarem ao (meu) vício, não naquele espaço de tempo, mas anos mais tarde – dias houve em que, pausadamente, saboreava oito, dez, bicas…
- Sinto-me muito bem perto das pessoas com quem tenho afinidades de vária ordem, residentes na “capital” da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva.
*
O introito desta estória remete-me aos anos setenta, pós África.

A novidade do mapa promove o espaço, o concelho 
e a região

Pelas minhas contas, desde 1976, “VICTOCALIS” é uma marca das minhas memórias.
A amizade com o Jorge Calinas deve ter assentado arraiais por essa altura, a ponto de propagandear, fosse lá onde fosse, que o estabelecimento “VICTOCALIS” ficava bem em qualquer metrópole, graças à delicada e agradável atmosfera estética com que o Jorge decorava os seus espaços comerciais.
Eu, que sou dos “vermelhos” nos gostos clubísticos, “aguentei” as nuances dos verdes da “VICTOCALIS” com espírito “desportivo” – o Jorge, além de amigo, era “o dono da bola”!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (…)” – escreveu Camões.

Na estória que me trouxe aqui, as vontades (do Jorge) não mudaram:
- Ele, o Jorge, continua a ser o “dono da bola”, com os mesmos “vícios esverdeados”, e eu continuo a defender a tese de que este café "VICTOCALIS” fica bem em qualquer metrópole – tal a delicada e agradável atmosfera estética com que o meu amigo continua a “encenar” os seus espaços comerciais.
Obviamente, permaneço “vermelho” nos gostos clubísticos e amigo do Jorge Calinas.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

O "melhor 25 de Abril de sempre"

 




O "melhor 25 de Abril de sempre" aconteceu na minha amada terra natal no ano de 2010 graças ao empenho de um grupo de jovens na descoberta da "Pedra Filosofal", (...)uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer (...) - António Gedeão. 

Que o "sonho" permaneça vivo em todos nós - agora e sempre...