sábado, 13 de janeiro de 2018

A derradeira carta de amor

Todas as Cartas de Amor são Ridículas
Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras, 
Ridículas. 
As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser 
Ridículas. 
Mas, afinal, 
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 
Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso 
Cartas de amor 
Ridículas. 
A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 
(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos esdrúxulos, 
São naturalmente 
Ridículas.) 

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa 

*****
"(...) Tua... ( era assim que se velavam as cartas de amor)"

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

"Consoamos aqui os três"


Tenho de reserva 
para os tempos de agora dezenas de livros para ler - alguns, para reler


Quando a minha filha Ivânia, disponibilizou o empréstimo da obra (quase) completa de José Rodrigues dos Santos, agradeci - obrigadinho, mas não; gosto de folhear de preferência os meus livros, somente meus, parceiros de conversas para as conveniências de cada momento. A filhota sorriu, ok pai, entendo – e achou por bem presentear-me com “O Sétimo Selo”, do mesmo autor.
Esta mania/defeito de ser dono das minhas coisas - não das pessoas, que não são coisas, sem dono - faz de mim um minúsculo “ditador”. É por isso que nunca me tornei colecionador de coisa alguma, mas guardo, por exemplo, quantidades apreciáveis de moedas e selos com origem em meio mundo.
Volto ao defeito da posse…
Não recordo como Alves Redol entrou nos meus hábitos de leitura (em 1963 vivia em Moçambique); possivelmente pelo fascínio das palavras do autor quando descreve a (…) odisseia de um camponês que aprendeu a ler (…) no romance “Fanga”. A seguir, no mesmo ano, comprei “A Barca dos Sete Lemes” e fui comprando, comprando…
Alves Redol é, como se vê, um dos meus autores preferidos e velho amigo, por várias razões - uma delas por se ter inspirado (…) na vida de um jovem daqui, Constantino Cara-Linda, meu vizinho e amigo (…).
Quando li “Constantino - Guardador de vacas e de sonhos” nunca imaginei que, um dia, uma das filhas do protagonista da obra faria parte da minha família, o que faz de mim um sujeito honrado e “vaidoso”!
Miguel Torga é mais um autor dos meus gostos, e também pelas referências dos percursos de vida de dois dos seus amigos: Alberto Martins de Carvalho, meu conterrâneo, pedagogo e mestre, a quem fui “recomendado” quando entrei no liceu D. João III, em Coimbra, e Fernando Vale, “aristocrata da esquerda”- exemplo de longevidade na existência sadia e figura de proa no Partido Socialista e no Grande Oriente Lusitano…
A amizade de Torga com Fernando Vale é  conhecida, mas, diz-se, foi Martins de Carvalho quem os apresentou. Pormenor de somenos importância.
Volto ao defeito da posse.
Reli “Os novos Contos da Montanha”, de Miguel Torga - impossível ficar indiferente ao seu “Natal” . Ouso transcrever a “... ceia do Garrinchas”.
Por ser Natal.

“(…) Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa e uma fatia de febra e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda. É servida?
A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também.
E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira.
- Consoamos aqui os três - disse, com a pureza e a ironia de um patriarca.
- A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de S. José".

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O pintainho amarelo

“(…)
- Como é que voltas a pôr o ovo lá dentro - disse ela - para o fazeres  sair outra vez? No teu sonho, claro.
 - Não sei, volta a entrar… lá para dentro, e pronto. Suponho eu.
O riso de Lydia é agora um disfarce.
- E que diria o Doutor Freud de uma coisa assim?
 Suspirei de irritação.
 - Nem tudo é….
 Suspiro
- Nem tudo
(…)
- Oh, claro - disse ela - às vezes um pintainho é só um pintainho, a não ser que seja uma galinha (…)”.

Quando a Ângela decidiu lembrar “a amizade, a alegria, o riso, as conversas”, fez agora anos, e presentear o meu aniversário com o “mais belo e melancólico romance de John  Banville”, segundo a opinião do crítico do Sunday Telegraph, não lhe passava pela cabeça que este “Eclipse”- título da capa - dizia de mim o incómodo de alguns dos (meus) segredos,  agora assumidos, que o tempo é de arrumar memórias.
Parágrafo a parágrafo, página a página, tomei assento na estória até dela fazer parte, como se fosse o autor dos “fantasmas” silenciosos que sempre me perseguiram, como sucedeu a Alex Cleave. Este “Eclipse”, na imaginação de John Banville, irlandês, nascido no ano em que eu nasci, tem tanto de mim que dá arrepios – li páginas inteiras “sobre mim”, voltei a ler, pausei a leitura, repeti parágrafos, páginas inteiras - era eu, sou eu “aquilo”, espécie de retrato dos meus medos – de um pequeno medo que fosse: ai se a memória me falha, como aconteceu a Alex Cleave, o ator, a quem aconteceu o vazio da fala à boca do proscénio. Essa foi a causa que o levou de regresso à casa onde nasceu para viver com os “fantasmas que habitavam o mesmo espaço”…

Alex Cleave teve (…) um pintainho amarelo, de celuloide, especado nas  suas patas muito finas  e que punha um ovo quando lhe  premiamos o dorso (…). Lydia estava a olhar para mim com um sorriso incómodo e desdenhoso, mas não inteiramente isento de ternura.
- E como é que se põe lá dentro? - perguntou-me.
- Lá dentro?

Nas minhas memórias de menino há um pintainho amarelo, que punha um ovo quando se premia o dorso.
Coincidência, caro Alex Cleave, aliás: "eu"!



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

“Chuva Crioula” - nome do livro


“(…) os olhos verdes como os de uma onça negra”
“(…) se fosse mais clara, seria branca; um pouco mais escura, seria negra”







“Chuva Crioula” (1972), romance de José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro, estava esquecido na prateleira sem que  a minha memória lhe desse vida. De "fio a pavio", desta vez, a leitura não teve parança - nem quando faltava  a eletricidade cá por casa, que  isto de  fios, cabos, disjuntores, transformadores etc e tal, por via do incêndio de outubro, anda tudo colado com "cuspo"..
Porém,  “O Meu Pé de Laranja Lima”, do mesmo autor, garantiu  a imortalidade da (...) "história de um meninozinho que um dia descobriu a dor..." e é, sem dúvida, o seu romance mais conhecido e premiado.
É através desta obra que J.M. de Vasconcelos passa a fazer parte  do meu restrito grupo de escritores  “amigos”, daqueles que  nunca nos deixam - ou  nós nunca deixamos de ter por perto, por mais voltas que possamos dar à vida -  na solidão de leituras intimistas.
No escaparate, além deste romance de José Mauro de Vasconcelos, ainda reservo para leitura posterior “Barro Blanco”, publicado em 1948, e o celebrado “O Meu Pé de Laranja Lima”, de 1968, para o reencontro com a candura do meninozinho.
Volto ao que me trouxe ao  telex: "Chuva Crioula", cognome de mulher e protagonista de enredo  literário  produzido com o engenho e a arte do escritor brasileiro.
Alguns de nós, homens tisnados pelo sol africano e adolescência a condizer, por certo estivemos perto de uma “Chuva Crioula” semelhante à que José Mauro de Vasconcelos inventou - quem sabe, com direito a namorico ...  
A “Chuva Crioula” que me “enfeitiçou” em 1968, em Inhambane, Moçambique, em tudo se assemelhava ao modelo escolhido por J.M. de Vasconcelos. Só não tinha “(…) os olhos verdes como os de uma onça  negra” - eram azuis!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Acordar "vivo"

Quinze - 15! - dias sem internet!
Milhares de  metros de cabo  da PT queimados! Reposição sem data marcada.
Dizem que  os incêndios  do passado dia  15 de outubro  tiveram mão criminosa. Hum...
Garanto que de "herói" tenho pouco, quase nada, mas naquela tarde/noite fui "bombeiro, sapador, aguadeiro - "peguei o bicho pelos cornos"! As chamas, loucas, loucas, subiram a encosta e bateram-me à porta sem convite. 
Eu, "herói improvável" - quem diria?
Não fora a gentileza do Hugo e  continuava "off", longe das palavras, das imagens - agora,  com o router da  HUAWEI, deixo de estar limitado aos três "gigas" da MEO e dou notícias, sinal de que estou vivo, quero dizer: tenho "acordado vivo", o que não é mau de todo, digo eu, por seu EU o interessado na contabilidade dos (meus) outonos. Tempos houve em que  somava primaveras, agora não, somo outonos.
Entretanto, por "estar vivo",  ocupei-me de mim, do meu tempo.
José Rodrigues dos Santos : "A FÓRMULA DE DEUS" e "O SÉTIMO SELO". Quem não leu, deve ler.

sábado, 14 de outubro de 2017

Exercício sobre dois búzios (de Sophia de Mello Breyner)

Um acaso devolveu-me à leitura de “Contos Exemplares”, de Sophia de Mello Breyner. O livro, que descobri numa arca no sótão, editado em 1971, tem as folhas amarelecidas pelo tempo – nunca as palavras imortais da autora.
Nesta edição (a quarta), o então Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, assina o prefácio e é pela leitura das páginas que escreveu – mais de cinquenta! – que D. António nos remete para a excelência da obra de Sophia, apontando a sua enorme espiritualidade como referência a ter em conta.
À genialidade do conhecimento de D. António Ferreira Gomes junte-se o talento da maior poetisa portuguesa e ficamos com uma “peça rara” do nosso património cultural.
Qualquer português, minimamente culto, conhece alguma coisa de Sophia de Mello Breyner. Particularmente, creio que “A Viagem” é uma espécie de catecismo pelo facto de dimensionar a esperança de qualquer humano, entre o “Alfa e o Ómega”, até aos limites do quase impossível! Na estória de ficção, além do mais, a autora desenha poesia e poetiza a música das palavras, como sempre fez, com sensibilidade ímpar.
Não admira que a saudade de si, por tudo quanto legou à Humanidade, regresse nas asas do tempo como a excepcional voz da cantora brasileira Maria Bethânia deixa transparecer no álbum “Mar de Sophia”, editado, salvo erro, o ano passado, onde o mar e os seus símbolos, a partir da poesia de Sophia de Mello Breyner, nos transportam para viagens de completo encantamento.
Para meu regalo, a comunhão do belo (as palavras da Sophia na voz da Bethânia) chegou aos meus ouvidos numa tarde calma, bem longe do mar que a poetisa amava como se fosse coisa sua – somente sua! 
Por mim, a “minha serra” sempre foi o lugar perfeito para a poesia que me enche a alma – por vezes descubro  no silêncio oceanos de emoções que nem a morte há-de apagar da memória dos vivos! …
E hei-de “voltar à minha serra”, como a Sophia ao seu mar:
-“Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não passei ao pé do mar”!
Ainda nos “Contos Exemplares”, num deles (Homero) a autora retrata “… um velho louco e vagabundo a quem chamam Búzio…”. Obviamente, o texto mantém o estilo e a arte poética de Sophia..
De novo e sempre o mar:
-”O Búzio era como um monumento manuelino: tudo nele lembrava coisas marítimas…”.
Em Junho passado, depois das férias, conheci outro búzio: “ O Búzio de Cós e outros poemas
” – novas imagens de outros mares que Sophia não precisa mencionar – basta uma simples e bela concha fusiforme e fica perfeito o cenário de Cós, ilha do mar Egeu, onde Sophia comprou o búzio “numa venda junto ao cais…”.
Às suas epopeias, Sophia de Mello Breyner, agrega dois búzios impregnados de simbologia que tocaram a minha sensibilidade: a um faltava o aconchego de uma “concha”: “ O Búzio não possuía nada, como uma árvore não possui nada. Vivia com a terra toda que era ele próprio...”; ao outro não ouvia “ … nem o marulho de Cós nem de Egina…”.
Por mais que me deleite nas marés dos seus poemas, fico sem saber quantos mares formam o caleidoscópio da áurea de Sophia de Mello Breyner…

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Publicado no "Correio da Beira Serra" / 4 de Março de 2008


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

"Pinga amores"

A paixão, é dos “livros”, embriaga e deixa-nos tontos, desconcertados nas palavras e nas atitudes - que sei eu sobre os segredos deste nobre sentimento que outros desconheçam? Mesmo nada - é um “mal” que chega sem aviso prévio, instala-se o ”vírus” e pronto…
Já o amor… “O amor é um fogo que arde sem se ver (…)”, na certeza de Camões. Fico-me por este “fogo”, matéria delicada por entender que há vários tipos de amor, e volto à paixão - às minhas paixões; sendo várias, embarco, navego e afundo-me nelas. “Fraqueza” minha, dirão - é verdade, assumo.
Quem me mandou a mim sapateiro tocar rabecão” quando, por exemplo, me “apaixonei” pelo intelecto da "Helena", pela elegância das palavras da "Helena", pelos incentivos estéticos da Helena, pelo perfume que a "Helena" usa, pela silhueta da "Helena" - sim, quem me mandou sonhar o sonho, como se fosse terra de semeadura… 
Citei a "Helena", mas podia trazer à prosa a minha “paixão” pelo sorriso único e indiscritível da "Maria" (dos que dizem coisas, segredos …), pela silhueta da "Maria", pelo cheiro da "Maria", pela força de viver da "Maria", pela disponibilidade do amor da "Maria", que a distância quebrou e me deu pena...
Sendo várias, as paixões, em tempos diferentes, embarco, navego e afundo-me nelas. “Fraqueza” minha, dirão - é verdade, assumo. 
Quem me manda a mim apaixonar-me pela aldeia onde nasci, pela “minha” escola, pela “minha” filarmónica, pelo “meu” rio que mata a sede de nós todos, banha o “meu” Urtigal”, faz mover a roda de alcatruzes no verão e é atração da família “AABA - Autocaravanistas Amigos do Barril de Alva”…
Sim, quem me manda a mim, “pinga amores”, inventar paixões que me embriagam e deixam tonto?


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

“Faleceu” a croniqueta despretensiosa

Esta croniqueta, a que me proponho dar  sentido e forma, começou a ser construída no modo solidário e fraterno  quando eu era adolescente em terras  de Moçambique. Agora,  crescido na idade, com mais de setenta primaveras sobre os ombros, frágeis como sempre foram,  e liberto, como estou, dos juramentos de amor à coisa pública, é tempo de retornar ao berço  da leitura de algumas  das obras que fui somando  nas prateleiras,
Havendo liberdade mental para o entretenimento com os livros, em abono da verdade muito bem acompanhado (Miguel Torga, Gabriel Garcia Márquez, Milan Kundera, José Rodrigues dos Santos e outros), basta deixar ao pensamento a decisão suprema de ocupar os dias como muito bem lhe aprouver.
Aqui chegado, ao dia seguinte das eleições autárquicas, em consciência entendo ter cumprido o “destino”, na peugada (de alguns) dos que me antecederam: à aldeia onde nasci deixo alguma coisa de mim, sem memoriais de leituras que, de forma expressa, ou sob disfarce, fossem o reflexo da essência da vaidade.
Diria que esta croniqueta tinha a “morte anunciada” (do título Crónica de uma morte anunciada / Gabriel Garcia Márquez).
Hoje, de motu proprio, lúcida e consciente, ela, a croniqueta,   foi a enterrar  e eu com ela, num sublime e inteligível  ritual.
Quando “falecem” croniquetas despretensiosas com pessoas dentro há rituais assim, de despedida…



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

"Satanhoco" - o caluniador

Já é manhã do dia seguinte. 
Agora, com tempo, exercito a mente: ouço sons de "cornetas" como se fossem "arautos da desgraça alheia", e é por aí que me fico na incerteza se devo, ou não, marcar vez na banca de um qualquer adivinho, o vulgar bruxo (no creo en brujas, pero que las hay, las hay - em espanhol dá mais "categoria"...) para que a sua bola de cristal me "garanta" o nome do (a) corajoso (a) caluniador (a). Não é por nada, mas sempre podia esquecer durante breve tempo as boas maneiras... 
Além do dicionário do Torrinha, usava de memória outros "nomes bonitos", dos que aprendi em terras de Moçambique, como "satanhoco", por exemplo, que é dos mais leves - "não mata, mas " desmoraliza... 

"Ser ou não ser galinha" - eis a questão

Não sei se estava com cara de caso, setressado talvez (o que não é de admirar quando as más notícias chegam ligeiras pela manhã...
Portanto, naquele dia devia estar com cara (e disposição!) de poucos amigos.
Fora de portas, longe de casa, cruzei-me com uma senhora, que cumprimentei sem afivelar nenhum estilo de sorriso.
- Boa tarde, como tem passado?
Recebo o troco do cumprimento e um sorriso bonito:
- Boa tarde, como está?
Ainda sem estilo no sorriso, respondo:
- Estou ótimo, "bom como o milho"...
Resposta rápida e acutilante da senhora:
- Bolas, já não quero ser galinha!!!
Gargalhei como um "menino de coro" e fui à minha vida.
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