quinta-feira, 22 de agosto de 2024

“Ti” Maria da Ressurreição

 

Praça Dr. Alberto Valle, Coja.


Do nada, na presença da Inês Vilela - a quem questionei sobre a sua saúde -, comecei conversa de ocasião com a “ti” Maria da Ressurreição  que, a páginas tantas, deu a entender  o fim do diálogo:

-… agora volto para Vinhó, que é onde moro.

 - E vai como, de carro?

- Não, vou a pé, vou e venho. Às vezes vou de boleia…

- Que idade tem, “ti” Maria?

- Não sei, mas veja aqui - mostra o BI, que tira de uma carterinha.

- É uma “jovem”, disse eu, sorrindo, agradado com a simpatia e desenvoltura da “ti” Maria da Ressurreição que, volta não volta, vem à vila, passeia, “faz o que tem de fazer”, e regressa a casa.

 

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Acácio Simões - "Cuco & Gorgulho"


Natural do Barril de Alva, Acácio Simões é um “caso à parte” na  comunidade do  concelho de Arganil.
Faz parte dos quadros da Associação Filarmónica Barrilense, e como nasceu com talento de sobra para servir a arte de Talma (1), pela mão dos atores Silvino Lopes e Fernanda Santana, passou a integrar a companhia Gorgulhos -Teatro Na Serra: “saltimbancos da cultura” que animam pequenas aleias da Serra do Açor ( 2).
O “nosso” Acácio é pessoa de bem, solidária e fraterna – outro “dom” que lhe vem do berço.
... Qualquer dia trago à estampa "estórias" do Acácio”. Por agora, esta “máscara” prova que estamos perante um ator que, possivelmente, passou ao lado de uma grande carreira, Não foi essa a “vontade do destino” – e ainda bem!

Notas

(1) Refere-se a uma personalidade de nacionalidade francesa, cujo nome completo era François Joseph Talma (1763-1826), que foi ator trágico.
 
(2) https://viagens.sapo.pt/viajar/artigos/gorgulhos-teatro-na-serra-os-saltimbancos-da-cultura-que-animam-pequenas-aldeias-da-serra-do-acor

sábado, 10 de agosto de 2024

IMAGINE : JOHN LENNON



Imagine que não exista paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno sob nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo o presente
Imagine que não há países
Não é difícil
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Você pode dizer que sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu espero que algum dia você se junte a nós
E o mundo será um só
Imagine que não existam posses
Eu me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade dos homens
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo inteiro
Você pode dizer que sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu espero que algum dia você se junte a nós
E o mundo viverá como um só


quinta-feira, 18 de julho de 2024

Socializar



Entretenimento puro dos jovens barrilenses,
iguais a quaisquer outros no tempo da adolescência, 
com a vantagem  da partilha de ar puro,
paisagens "virgens" e do  refrescante Alva, o rio

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Casamento do Guilherme e da Manuela


Passaram mais de cinquenta anos sobre o momento registado na fotografia que mão amiga me fez chegar na semana passada.
O casal faz parte das minhas memórias de infância no Barril de Alva, onde nascemos.
A nostalgia por vezes “dói”…
-
#calbertoramos

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Europeu de Futebol - The Show Go On


Na hora
de perfeita ilusão, escrevo como quem viaja no tempo à velocidade do pensamento – é o que (me) sugere a imagem televisiva da suave partida da equipa portuguesa, rumo ao Campeonato Europeu de Futebol.
“Vou nas calmas”, nesta viagem, sentado no sofá, sem pressa de chegar; depois… é jogar, jogar, jogar e ganhar”! Vencer faz parte da ilusão…
The show go on
– cá e lá, na Alemanha.
Na hora
da partida, trocam-se alegres sorrisos, gestos, palavras e abraços.
- Voltem campeões!
Impossível não associar este momento a muitas dezenas de outros, quando os nossos “barquinhos de papelão” rumavam ao desconhecido por “mares nunca navegados”.
Na hora da partida,
no cais, familiares dos viajantes e outras gentes trocavam lágrimas, gestos, palavras e abraços.
- Voltem vivos!
…O resto faz parte da sublime História do país que somos.
*
- Viel Gluck, Portugal




quinta-feira, 16 de maio de 2024

"...Têm cá uma sorte!..."




Manhã de sábado, na minha amada terra, junto à ponte sobre o Alva.
Há dezenas de viaturas ligeiras estacionadas, estrada acima, autocaravanas em repouso, e mais de duas centenas de pessoas circulam entre os parques de "Lazer", "AIACO" e Área de Serviço para Autocaravanas...
Ando por ali, cumprimento e sou cumprimentado - até por pessoas que nunca vi! Um casal oferece-me arbustos floridos para plantar no Urtigal, mas exige os vasos de volta - fica prometido, assim será...
Cruzo-me com um cidadão, português como eu, trocamos os "bons dias" e os sorrisos e, à saída do cumprimento, deixa-me nas costas uma palmadinha "simpática" com meia dúzia de palavras a acompanhar:
- Ena, "casa cheia" - têm cá uma sorte!...
- Pois, pois, retorqui: "ter sorte" dá imenso trabalho, " amigo"...
O "meu amigo" não se explicou sobre o tempo do verbo: a sorte "era só minha", das equipas de que tenho feito parte, ou do Barril de Alva no seu todo? Calculo que estivesse a referir-se ao último executivo da Junta de freguesia do Barril de Alva, ou ao atual elenco da União das Freguesias de Coja e Barril de Alva. Ou ao Barril de Alva, no seu todo...
"Apenas minha" foi a palmadinha que me deixou nas costas à saída do cumprimento...
-
Texto  "facebookiano" publicado  no dia 16 de maio de 2015


 

quinta-feira, 25 de abril de 2024

O dia 25 de Abril de 1975 (também) foi uma “espécie de arco-íris” ...

 


Em Abril de 1975 residia em Moçambique, na cidade de João Belo, Xai Xai, capital do distrito de Gaza, exercia as  funções de  gerente comercial numa das maiores empresas do setor, e tinha sido eleito secretário da Associação de Desportos  do Distrito de Gaza.

A revolução “dos cravos”, foi recebida com euforia  em Malehice, Chibuto, Distrito de Gaza, de onde era natural Joaquim Chissano.

Em João Belo, e nas outras localidades, a maioria da comunidade europeia partilhou com agrado a satisfação da população africana pelo primeiro passo para o fim da luta armada e consequente independência de Moçambique, como era o desejo de quem aí tinha nascido e de muitos outros que, pela paixão do amor, tinham adotado  aquela terra  como sua. Era o meu caso!

Dias depois  do 25 de Abril de 1975, em nome dos proprietários da Casa Fonseca e dos seus funcionários, subscrevi um telegrama endereçado a Joaquim Chissano, que ocupou a função de Primeiro-Ministro do Governo de Transição até 25 de junho de 1975, data da proclamação da independência de Moçambique; posteriormente assumiu a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros e mais tarde foi eleito Presidente da República.

O texto do telegrama, em síntese,  parabenizava o ilustre conterrâneo pelo seu  empenho no futuro de Moçambique, terra de “todos nós”, independentemente das suas origens, cor da pele, raça e religião.

- O dia 25 de Abril de 1975  (também) foi uma “espécie de arco-íris” ...

quinta-feira, 28 de março de 2024

ESTGOH, 2007 - Caloiros “à solta”

 “(…)O Ginja II, que tem jeito para o canto, apresentava-se com um estilo de penteado com tendências futuristas, deu nas vistas - pelo menos enquanto não visitou o barbeiro para acerto das escadinhas laterais, entre as orelhas e o cocuruto(…)”


 Não perco pitada das estórias contadas em jeito de crónica pelo escritor Rui Zink, daí que procure alguns dos seus subsídios para meios sorrisos eloquentes, como o excerto deste texto: “Dinossauros excelentíssimos”, que pode ser lido nas suas crónicas benditas: “Luto pela felicidade dos portugueses”.
“…Ao almoço, no restaurante:
- O que recomenda?
- O pargo está uma delícia, e além disso é licenciado em Económicas
- Hum… licenciado em Económicas…
- Mas olhe que está uma categoria…
- Eu sei, mas queria qualquer coisa mais substancial. Não tem nada com mestrado?
- Peixes não, - mas tenho umas costeletas de vitela que estão a tirar o doutoramento em Oxford. Fritinhas e servidas com batatas da Católica ficam uma maravilha”.

O  saboroso diálogo bem podia fazer parte de um sketch a que os novos caloiros estariam sujeitos, se a Praxe académica tivesse outros contornos de entretenimento puro, o que não invalida a comicidade dos parodiantes em situações inventadas, na hora, pelos doutores.

Graças aos noviços da ESTGOH fiquei a saber que o balcão do bar onde alguns estudantes foram vítimas da Praxe, mede “quase” oitenta paus de fósforos; não acredito, apesar dos encarregados, na proporção de três para um (trabalhador), garantirem a autenticidade dos cinco centímetros de cada amorfo.
As dúvidas resultam do facto de, entre eles, apesar da sobriedade com que se apresentaram ao trabalho, não existir consenso quanto às metades que faltam ou sobram a cada ladrilho: que fazer aos sobejos dos ditos? Ou será que são pequenos em demasia?
Em defesa da lógica, o doutor Carlos Maia “Fiúza”, filósofo de ocasião, apontou uma garrafa de Porto e do alto da sua insigne sabedoria, discursa:
- Isto é simples: para mim, a garrafa está meia vazia; aqui para o Ginja, meia cheia!
O Ginja II, que tem jeito para o canto, apresentava-se com um estilo de penteado com tendências futuristas e deu nas vistas - pelo menos enquanto não visitou o barbeiro para acerto das escadinhas laterais, entre as orelhas e o cocuruto. Pensativo, o Ginja II, como se imagina, concordou com o mestre, não fosse este ordenar punição maior pela irreverência do contraditório.
A tertúlia compôs-se, segundo o grau e qualidade de quem ia chegando – pessoas ilustres e ilustradas pelo traje negro sem pergaminhos, por ora, a saber: doutores Hélder Pinto, Romeo (com o, sim senhor …) Vieira “Laurent Robert”, Bruno Gomes, e Carlos Maia ”Fiúza”, os engenheiros Santarém, “o campino”, Álvaro Ferreira, ”o músico”, a que se juntaram os afilhados Mi Gusto, Lloyd e Roger. Faltaram à chamada o doutor João Paiva, “o teórico da bola”, possivelmente a congeminar nova tática que possibilite vitórias ao seu clube, e o engenheiro João Bagorro, “o alentejano”, talvez a meio da única “imperial” do dia!
A coberto dos cuidados paternos, alguns ficaram no anonimato, como convém.
Para o Ludovic Costa, “o francês”, 23 anos de idade, licenciado em Económicas, voltar a ser caloiro em Engenharia Civil, “é obra”!
A ESTGOH começa a ser aliciante para a classe estudantil, daí que a Praxe se instale com cânones próprios - falta eleger o Dux Veteranorum!!
Perante “malta” de tal jaez, espera-se, em Oliveira do Hospital, um ano letivo recheado de bons costumes académicos.
Quanto às aulas, há tempo, “o ano só agora começou” – palavra de caloiro!

* Publicado em 2007  - https://ritualmente.blogspot.com/

... 2 "testemunhos

Que saudades!
De ser caloira e matar a formiga aos gritos! de ser doutora para poder praxar... sempre fui muito branda se os pudesse safar, safava...
O meu traje... a minha lapela amarela e cinzenta... a cartola... a bengala...
São apenas recordações!
Bom ano para os caloiros! Aos doutores muito estudo da fisica do levantamento da caneca!
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Que saudades...
Saudades, sim saudades... Quem diria que eu um dia viesse a escrever isso, eu que sempre fui "do contra". Mas é, tudo isso deixa imensas saudades:
Aquele café meio escondido onde passei grande parte do tempo (a trabalhar), conversar, cantar e as vezes até quem sabe se nao filozofava, e os meus pais pensavam que eu estava em casa tal um menino bem comportado a estudar! "Ai se eles soubessem" lamentava eu quando ja depois de acabar um certo Logan 12anos e ouvindo o melhor Ritualista dizer-me: "Ja estas lindo!"; pois é o Ritual deixa-me imensas saudades.
E aquelas pessoas que me acompanharam desde o inicio desta vida estudantil. Nao esquecendo os que me "apanharam" na recta final. A todos um eterno obrigado, nao eskecendo ninguem e começando pelo meu familiar mais proximo Sr. Carlos, Maia, Andreia, Roger, Ana(s), Helder, Lipinha, Teresinha, Madeirinha, e tantos mais.; pois é o essas pessoas todas deixam-me imensas saudades.

Ass.: Roméo (com o, sim senhor …) Vieira “Laurent Robert”