quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

- Uma flor é uma "coisa"? E um miau?

... até pode ser um "abuso", mas estas duas "crianças" não deixam de me surpreender . Subir a uma oliveira, das altas? Subir e descer pela latada dos kivis? "Decansar" descontraidamente no cocuruto do telhado do pombal? Corridas desenfreadas pelo quintal? Piruetas? "Lutas" de brincar a toda a hora? Um "assalto" estratégico a tudo quanto seja comida, se estiver "à mão de semar" ? Ronronar no sofá, a meu lado? "Turrinhas" nas minhas pernas? "Pedir" cócegas nas barriguinhas ? Acordar o dono às "oito da madrugada" com pancadinhas na porta do quarto e miaus "doces" ? Os gémeos têm a "resposta na ponta da lingua" !... 
Posso parecer um chato - e sou, quando gosto de pessoas e ...outros animais. E de coisas também...
- Uma flor é uma "coisa"? E um miau?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

... na verdade, as "fadas" existem!

Aconteceu neste Natal,  
para surpresa  de quantos assistiram à "metamorfose" da Nônô, 
com  as suas asas,  
ao jeito de uma fada, 
das que nascem com elas, 
as asas.
E se não for verdade, 
que as  fadas não existem, 
e se  existem não têm asas, 
quebra-se o encanto de quem ganhou asas, 
a Nônô, 
e de quem as imaginou  coladinhas às costas da Nônô - a tia Rita.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

"Hoje é dia de ser bom (...) "


António Gedeão
*****
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Espelho meu, espelho meu...

É suposto associar o Natal à família. Sendo a minha composta de filhos, respectivos consortes e netos (pessoas felizes, "bonitas por dentro e por fora"), nada melhor do que ilustrar o tempo de agora com os meus, partes inteiras de mim.
"Espelho meu, espelho meu: há alguém mais feliz do que eu"?

sábado, 10 de dezembro de 2016

Solitária, a flor, num prado verde

O sol continua primaveril, para meu gosto. 
Há verde, muito verde a cobrir as terras  que estão em pousio; aqui e além surgem florinhas solitárias amarelas, brancas e outras  em tons de vermelho. Em comum têm o pequeno tamanho
Solitária,  a flor, num prado verde...
Levei a lente da câmera fotográfica ao limite do zoom e fiquei com uma imagem "gigante", bela, muito bela -tão bela que assumo a partilha ao jeito de quem oferece um "miminho" natalício.
Feliz Natal

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Basta um pouco de sol e é primavera

As paredes da minha casa têm  70 centímetros de largura. A sala, no verão, é "refrigerada" - é aqui que me sinto bem, longe do sol que entra pela janela. 
Há mais de meio século, neste local, existia uma porta que dava acesso à oficina  de carpinteiro do avô Pereira; agora, a porta de entrada da casa fica no outro extremo da  sala, que ficou enorme depois das obras, já lá vai um bom par de anos...
Quando chega o frio, altero a disposição dos moveis  e coloco o meu sofá virado para a abençoada janela por entra o sol, como agora. 
- Basta um pouco de sol e é primavera.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O segredo do "negócio dos passarinhos"

A sabedoria do povo faz progredir adágios “virais” enquanto o “diabo esfrega um olho”…
É certo e sabido que o “silêncio é de ouro”, “quem anda à chuva, molha-se” - e podia continuar sem limite nas palavras, ao sabor da imaginação. Sim, imaginação - somos todos “imaginativos”, “idiotas” (pessoas com ideias, nada de pejorativo…), “treinadores de bancada”, etc e tal…
Sendo  “o segredo  a alma do negócio”, o melhor é não contar a ninguém que recebemos herança abastada de uma “tia que nunca vimos” (quando for o caso, é bom de ver…).
Ontem aprendi outra, que vai dar ao mesmo, ao segredo como alma do negócio:
- “Não se pode mostrar o ninho, se não ficamos sem os passarinhos”!
Por mim, vou dar asas ao sorriso quando me calhar em sorte o euromilhões! Quero o “ninho” só meu, muito meu!
E os passarinhos, idem!
Pois…

domingo, 27 de novembro de 2016

Nônô, a "princesa"


Foi o domingo espécie de dia  familiar. O nosso Benjamim Kiko, integrado na equipa do Lousanense, veio jogar à capital do (meu) concelho,  e a família não podia deixar  de o apoiar. A mana Nônô teve outros afazeres na Academia de Bailado, chegou mais tarde, por isso não viu o "golaço" que o Kiko marcou de livre direto - um "tiro" certeiro, e o guarda redes nem viu a bola passar!
Depois do almoço, um passeio pela vila. 
Junto a uma montra estava uma bicicleta linda de ver, enfeitada com flores; à "pintura" faltava um elemento importante - e a Nônô logo ali, ao jeito de um ou dois cliques...
"Perfeito", disse eu - e disse bem, não disse?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"Terroristas" silenciosos



Foi dia de apanhar a azeitona da “quinta”, que é enorme para os cuidados que lhe dou, quando dou - quer dizer, dou, claro, mas pago a quem o faça por mim…
Vieram os dois compadres e ajudantes, a faina ia de “vento em popa”,  e a seguir ao  “mata bicho”, saí para cumprimentar o “ti” Abílio, o seu compadre, mais  conhecido por Vedor, e os restantes jovens trabalhadores. Pelas minhas contas, as oliveiras não davam grande maquia, mas os compadres, em coro, disseram que ainda tinham qualquer coisinha e que valia a pena o esforço de estender as maranhas, varejar as árvores, ensacar os frutos e, para não deixar para depois, limpar as oliveiras – para o ano é que vão carregar, diz o compadre Vedor. Se ele o diz, acredito…
De regresso a casa, com um clique leio o “Público” e passo os olhos pelas primeiras páginas dos outros jornais, como sempre faço todas as manhãs...
Quando olhei para o relógio, era quase meio-dia, horas de preparar o almoço - qual almoço? Não tinha nada à mão, e descongelar o que quer que fosse dava para tarde…
Solução: uma omelete de fiambre, pronto, “já está”!
Cuidadoso com a frigideira, mais uma voltinha à omelete, e outra, e outra - ei-la no prato, direitinha, fofa, à espera da salada… e dos meus dentes!
Entretanto, tocam à campainha…
Abri a porta - era a esposa do “ti” Abílio com um saco de dióspiros, dos de roer, os meus preferidos. Obrigadinho, disse eu, depois de lhe perguntar como ia de saúde, vou indo, sr Carlos, vou indo. Como sei que gosta, trago-lhe aqui meia dúzia de dióspiros, à tarde trago mais. Oh, não se incomode, mas agradeço. Os do ano passado eram bem bons, acrescentei - e eram! Não leve a mal, mas estou a tratar do almoço, os gatos ainda me vão à omelete…Vá, vá, precisa de ajuda? Não, obrigado, já está pronta - então, até logo…
- Abri a porta da cozinha ainda a tempo de ver os dois “terroristas” banquetearem-se com o  meu almoço…