domingo, 7 de julho de 2013

Nova ponte no ( meu) pensamento

construiu uma nova ponte  no  (meu) pensamento.
Não se pense que ela,
a  ponte, 
é imaginária - pelo contrário: 
tem formas, 
olha-se, 
sente-se, 
toca-se e aproxima as margens de um rio imenso, 
maior que o Zambeze. 
Apesar da enormidade do tamanho, viajar por ela, 
pela ponte do meu pensamento, 
é simples, 
rápido ( como um relâmpago!)
e não tem custos...

domingo, 2 de junho de 2013

O pirilampo

O sol entrou pela noite dentro, como se fosse o começo da Primavera,
ou  um dia de verão,
ou um dia de sol no inverno,
ou uma centelha de felicidade pelo avistamento  de um pirilampo - o primeiro durante as inúmeras  caminhadas  de silêncios, rua abaixo, rua acima.
Do outono gosto do chão  atapetado com  folhas de plátanos e da brisa que sopra dos lados do (meu) rio...


quinta-feira, 28 de março de 2013

Agora, os silêncios

Rir,
ou chorar,
sem ninguém por perto, 
é a  grande desculpa para o  desleixo nos arrumos das roupas que deixo sobre uma cadeira,
na esperança  de que retorne o hábito de as colocar nos sítios certos...
Agora, os silêncios  são feitos de ausências: nem choro nem rio.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Eu, "branco de segunda” e “explorador de pretos”


Vai a televisão pública emitir uma série de programas sobre os portugueses que, depois da descolonização, regressaram da África portuguesa – como se não existissem, no tempo presente, melhores e actuais assuntos do interesse público …
Esse tempo, dos “retornados”, miseravelmente corridos a “toque de caixa” das terras que eram, para todos os efeitos, pátrias de adopção de muitos de nós, não pesam nas memórias da actual geração de portugueses, nada lhes diz, mas para quem sofreu as consequências de uma descolonização disparatada, é uma matéria sensível que ninguém deseja recordar.
Sem culpas no cartório, na matriz da minha consciência, durante vinte anos, plagiando Venicius de Moraes, fui “o branco mais preto de Moçambique”, “estatuto” que não me garantiu epítetos de lisonja, bem pelo contrário: em 1975, como se tivesse infestado de lepra, apelidaram-me de “branco de segunda” e “explorador de pretos”…
O destempero das palavras, ao invés  da malquerença, fez de mim um homem novo, fisicamente adaptado, emocionalmente não, NUNCA!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Delicadezas ao ouvido

Alguma coisa há-de ter feito o Governo para justificar a mudança radical das conversas de café, centros de saúde e, de certo modo, junto às caixas dos supermercados. 
Longe (?) vão os tempos dos versáteis temas,  qual deles o mais importante na vivência diária do comum dos cidadãos: novelas para as senhoras, futebol, minis e "gajas" para os senhores!
Basta estar atento e guardar na memória respigos da douta raiva de quem emite  ( a sua) opinião:
"- O que o Relvas merecia era um tiro....!"
"- O Passos é um imaturo, um jotinha, como o Seguro...!"
"- Quem governa é o Relvas, pior do que  Salazar...!"
"- Vou desistir da venda ( do peixe à porta do freguês), ninguém compra um carapau...!"
"- Na terra dele ( Relvas) ninguém gosta dele..."
"- Estou desempregada, mas o meu curso veio de cinco anos na Universidade, não foi tirado ao domingo...!"
"-Vou migrar para outras paragens, talvez para a Finlândia...!"
Manda o pudor que não cite de passagem outras delicadezas dedicadas ao Relvas...
O Relvas, sempre o Relvas, como se fosse o galã de uma novela da TVI,  craque do Barcelona, ou uma gaja boa. 
...Ou uma mini bem fresquinha!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013: nasci num sonho


... Foi assim, num sonho,  que nasci em 2013:
Aceitei  o teu abraço  como se fosse único.
Talvez pela "força", talvez porque era teu, fez-me imenso bem,  tanto que sonhei com ele - acordei nele!
No sonho, mimei-te no silêncio da fantasia de uma paixão tão espiritual  que só "visto" !
Decididamente, vives em mim sem o saberes.
Quero-te tanto bem que nem sabes quanto...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Que bom!

Se o mundo acabou, não dei por nada.
Morri? Não dei conta - se calhar, morri mesmo...
O tempo, para quem morre, deve ser imenso, eterno - nunca se morre!
Que bom!!!

Xanax, pelo sim, pelo não...

Disse a médica:
- Vai ter de ir para Coimbra.
-  Ok, vou no meu carro - disse eu.
Diz a médica:
- Não, não, vai de ambulância.
E eu fui de ambulância.
Entre as cinco da tarde e a meia noite estive entregue aos cuidados de várias saberes e competências. Por fim, o veredito:
- Está tudo bem consigo, possivelmente anda com o sistema nervoso alterado...
Palavra de cardiologista é  bálsamo que alivia a dor no peito e coloca  a cabeça no lugar...
- É capaz de ser isso, sim - disse eu; agradeci  as gentilezas  e fiquei-me por meio sorriso, sem mais palavras.
A cardiologista retribuiu o meio sorriso, confirmou que "estou óptimo", e com o mesmo gesto delicado:
- Vai tomar um Xanax  fraquinho.
Como quem se despede, passou da sua mão para a minha  a receita  do Xanax 0,5.
De regresso a casa, o táxi deixou-me no parque de estacionamento  do Centro de Saúde,  à porta do  Toyota.
Eram duas da manhã.
Para não "morrer completamente estúpido", pelo sim, pelo não, antes de "acabar o mundo", um Xanax é  "sempre bem vindo"...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sem estrondo

Não rubrico um "pacto de regime" pela via da hipocrisia política. Quando reconheço a minha incompetência nesta matéria, pela vivência dos factos, caminho na direcção da porta de saída sem fazer estardalhaço, embora triste...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pequenos prazeres

O frio, lá fora, é intenso - zero graus às nove da noite!
Janto peixe assado no forno, regresso ao conforto da lareira acesa, aqueço-me o suficiente para ganhar coragem e voltar à cozinha, quase gelada...
Tomo um chá de camomila bem quente, e como me apetece o gosto de figos secos, levo seis na mão. De seguida, retiro a rolha do garrafão de cinco litros, meio cheio (ou meio vazio?) de aguardente de medronho ( dos tempos em que a mãe Natália recolhia os frutos das árvores que ainda  existem no Calvino, na companhia da "ti" Aida - agora com mais de noventa primaveras...), encho um copinho,  volto ao sofá, ao quentinho da lareira e ao ASUS...