Rir,
ou chorar,
sem ninguém por perto,
é a grande desculpa para o desleixo nos arrumos das roupas que deixo sobre uma cadeira,
na esperança de que retorne o hábito de as colocar nos sítios certos...
Agora, os silêncios são feitos de ausências: nem choro nem rio.
quinta-feira, 28 de março de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Eu, "branco de segunda” e “explorador de pretos”
Vai a televisão pública emitir
uma série de programas sobre os portugueses que, depois da descolonização,
regressaram da África portuguesa – como se não existissem, no tempo presente,
melhores e actuais assuntos do interesse público …
Esse tempo, dos “retornados”,
miseravelmente corridos a “toque de caixa” das terras que eram, para todos os
efeitos, pátrias de adopção de muitos de nós, não pesam nas memórias da actual
geração de portugueses, nada lhes diz, mas para quem sofreu as consequências de
uma descolonização disparatada, é uma matéria sensível que ninguém deseja
recordar.
Sem culpas no cartório, na matriz da
minha consciência, durante vinte anos, plagiando Venicius de Moraes, fui “o branco mais preto de Moçambique”, “estatuto”
que não me garantiu epítetos de lisonja, bem pelo contrário: em 1975, como se tivesse
infestado de lepra, apelidaram-me de “branco de segunda” e “explorador de pretos”…
O destempero das palavras, ao
invés da malquerença, fez de mim um
homem novo, fisicamente adaptado, emocionalmente não, NUNCA!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Delicadezas ao ouvido
Alguma coisa há-de ter feito o Governo para justificar a mudança radical das conversas de café, centros de saúde e, de certo modo, junto às caixas dos supermercados.
Longe (?) vão os tempos dos versáteis temas, qual deles o mais importante na vivência diária do comum dos cidadãos: novelas para as senhoras, futebol, minis e "gajas" para os senhores!
Basta estar atento e guardar na memória respigos da douta raiva de quem emite ( a sua) opinião:
"- O que o Relvas merecia era um tiro....!"
"- O Passos é um imaturo, um jotinha, como o Seguro...!"
"- Quem governa é o Relvas, pior do que Salazar...!"
"- Vou desistir da venda ( do peixe à porta do freguês), ninguém compra um carapau...!"
"- Na terra dele ( Relvas) ninguém gosta dele..."
"- Estou desempregada, mas o meu curso veio de cinco anos na Universidade, não foi tirado ao domingo...!"
"-Vou migrar para outras paragens, talvez para a Finlândia...!"
Manda o pudor que não cite de passagem outras delicadezas dedicadas ao Relvas...
O Relvas, sempre o Relvas, como se fosse o galã de uma novela da TVI, craque do Barcelona, ou uma gaja boa.
...Ou uma mini bem fresquinha!
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
2013: nasci num sonho
... Foi assim, num sonho, que nasci em 2013:
Aceitei o teu abraço como se fosse único.
Talvez pela "força", talvez porque era teu, fez-me imenso bem, tanto que sonhei com ele - acordei nele!
No sonho, mimei-te no silêncio da fantasia de uma paixão tão espiritual que só "visto" !
Decididamente, vives em mim sem o saberes.
Quero-te tanto bem que nem sabes quanto...
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Que bom!
Se o mundo acabou, não dei por nada.
Morri? Não dei conta - se calhar, morri mesmo...
O tempo, para quem morre, deve ser imenso, eterno - nunca se morre!
Que bom!!!
Morri? Não dei conta - se calhar, morri mesmo...
O tempo, para quem morre, deve ser imenso, eterno - nunca se morre!
Que bom!!!
Xanax, pelo sim, pelo não...
Disse a médica:
- Vai ter de ir para Coimbra.
- Ok, vou no meu carro - disse eu.
Diz a médica:
- Não, não, vai de ambulância.
E eu fui de ambulância.
Entre as cinco da tarde e a meia noite estive entregue aos cuidados de várias saberes e competências. Por fim, o veredito:
- Está tudo bem consigo, possivelmente anda com o sistema nervoso alterado...
Palavra de cardiologista é bálsamo que alivia a dor no peito e coloca a cabeça no lugar...
- É capaz de ser isso, sim - disse eu; agradeci as gentilezas e fiquei-me por meio sorriso, sem mais palavras.
A cardiologista retribuiu o meio sorriso, confirmou que "estou óptimo", e com o mesmo gesto delicado:
- Vai tomar um Xanax fraquinho.
Como quem se despede, passou da sua mão para a minha a receita do Xanax 0,5.
De regresso a casa, o táxi deixou-me no parque de estacionamento do Centro de Saúde, à porta do Toyota.
Eram duas da manhã.
Para não "morrer completamente estúpido", pelo sim, pelo não, antes de "acabar o mundo", um Xanax é "sempre bem vindo"...
- Vai ter de ir para Coimbra.
- Ok, vou no meu carro - disse eu.
Diz a médica:
- Não, não, vai de ambulância.
E eu fui de ambulância.
Entre as cinco da tarde e a meia noite estive entregue aos cuidados de várias saberes e competências. Por fim, o veredito:
- Está tudo bem consigo, possivelmente anda com o sistema nervoso alterado...
Palavra de cardiologista é bálsamo que alivia a dor no peito e coloca a cabeça no lugar...
- É capaz de ser isso, sim - disse eu; agradeci as gentilezas e fiquei-me por meio sorriso, sem mais palavras.
A cardiologista retribuiu o meio sorriso, confirmou que "estou óptimo", e com o mesmo gesto delicado:
- Vai tomar um Xanax fraquinho.
Como quem se despede, passou da sua mão para a minha a receita do Xanax 0,5.
De regresso a casa, o táxi deixou-me no parque de estacionamento do Centro de Saúde, à porta do Toyota.
Eram duas da manhã.
Para não "morrer completamente estúpido", pelo sim, pelo não, antes de "acabar o mundo", um Xanax é "sempre bem vindo"...
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Sem estrondo
Não rubrico um "pacto de regime" pela via da hipocrisia política. Quando reconheço a minha incompetência nesta matéria, pela vivência dos factos, caminho na direcção da porta de saída sem fazer estardalhaço, embora triste...
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Pequenos prazeres
O frio, lá fora, é intenso - zero graus às nove da noite!
Janto peixe assado no forno, regresso ao conforto da lareira acesa, aqueço-me o suficiente para ganhar coragem e voltar à cozinha, quase gelada...
Tomo um chá de camomila bem quente, e como me apetece o gosto de figos secos, levo seis na mão. De seguida, retiro a rolha do garrafão de cinco litros, meio cheio (ou meio vazio?) de aguardente de medronho ( dos tempos em que a mãe Natália recolhia os frutos das árvores que ainda existem no Calvino, na companhia da "ti" Aida - agora com mais de noventa primaveras...), encho um copinho, volto ao sofá, ao quentinho da lareira e ao ASUS...
Tomo um chá de camomila bem quente, e como me apetece o gosto de figos secos, levo seis na mão. De seguida, retiro a rolha do garrafão de cinco litros, meio cheio (ou meio vazio?) de aguardente de medronho ( dos tempos em que a mãe Natália recolhia os frutos das árvores que ainda existem no Calvino, na companhia da "ti" Aida - agora com mais de noventa primaveras...), encho um copinho, volto ao sofá, ao quentinho da lareira e ao ASUS...
domingo, 25 de novembro de 2012
Ziguezaguear
Escrevo como quem corre cem
metros; passadas largas e poucas palavras devem bastar para chegar às metas a
que me proponho.
Arfo de cansaço e ainda mal
comecei…
... O pensamento, veloz, adianta-se e corta
a meta antes de mim
Ganhei ou perdi a corrida?
sábado, 22 de setembro de 2012
Nostalgia à sobremesa
Com sorte, terei por companhia a mulata mais bonita de todos os sonhos de cada soldado que com ela se cruza.
Com sorte, apanho um peixe voador!
Com sorte, a dose de galinha assada na brasa, à cafreal, acompanhada de batata frita, está pronta a sair; o almoço há-de durar o tempo de muitas conversas.
Como de costume, vou pedir uma catembe para empurrar com goles suaves a galinha e as batatas. E o papo-seco, fabricado no dia anterior, ou no anterior a este.
Vai ser assim: uma tarde em cheio, com nostalgia à sobremesa.
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