sábado, 5 de novembro de 2016

- "Na falta de noiva..."

Gravatas,  talvez meia centena   as que tenho adormecidas  no guarda fatos. Raramente uso uma que seja, perdi-lhe o jeito...
Fatos completos, quatro, mas apenas um serve de disfarce à barriguinha, pronto a vestir se  "for urgente" cumprir o protocolo de qualquer ato solene. Dos atos solenes fujo a  sete pés - perdi-lhe o jeito...
Ainda no guarda fatos tenho dois  jaquetões "muito jeitosos" e outro tipo de casacos, igualmente jeitosos que brilham com  a minha coleção de calças de ganga  - uso e abuso das ditas, ganhei-lhe o jeito...
Desta vez, foi necessário cumprir o protocolo na receção ao  Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, durante a sua  visita pastoral à Comunidade Interparoquial da Serra do Açor e Vale do Alva.
Vesti o fato completo e usei  gravata - escolhi uma das que guardam memórias de momentos únicos  e cidades cosmopolitas, como Lisboa, Jerusalém, Paris, Berna, Toronto...
"Prontinho da Silva", arrumado  numa camisa em tons de azul, nem parecia eu - eu, sim, sem as inseparáveis calças de ganga...
Telefonei  a  dizer  que chegaria tarde e preveni  as senhoras lá da secretaria que se preparassem para o "susto":  iria aparecer enbonecado, ao jeito de um noivo de Sto António,  gracejei...
A Dília,  com  "elevadíssimo sentido de humor", soltou uma gargalhada e sugeriu, "gentil":
- Na falta  de noiva, está ali fora uma  "simpática velhinha, viúva"... 
Se não fosse cá por coisas, tinha mudado a fatiota.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Travessura de "meter medo"

Acordar  no silêncio da noite com um terramato sonoro dentro de casa é uma travessura de meter medo - e se for  no dia das bruxas, não há cabelo que  assente na careca  de quem a tem. 
Sempre ouvi dizer  que as bruxas existem, sim senhor; ao "vivo" nunca vi nenhuma, Isto é: já fui enfeitiçado por bruxinhas simpáticas, outras lindas de morrer  (há feitiços assim, que "matam" os incautos...), mas  bruxas a "sério", cavalgando  vassouras de  piaçaba, dessas nunca vi, nunca - juro!
Ora, na noite anterior, vésperas da "Feira dos Santos" aqui no meu sítio, por volta das duas, cá em casa, caiu o "teto do mundo"  com o som contínuo de uma campainha, bem mais grave e barulhento que o despertador do rádio que tenho na cozinha - pensei eu. Nada disso: o rádio mantinha o silêncio, pelo sim, pelo não,  desliguei-o da corrente, mas o horror daquele som irritante, doido, doido, continuava a massacrar-me o corpo inteiro e não apenas  a cabeça, tremeliques, tiques tiques, meio desorientada (a cabeça...).
Ah - a campainha! Pois claro, a campainha - era a campainha, uma travessura de bruxas (ou bruxos...) que se passearam na noite no cumprimento de um ritual moderno, importado. 
Abri a porta da rua e dei de caras com  a arma do crime: um palito a pressionar o botão da dita cuja campainha!!!
Pudera, assim também  eu - também  eu era capaz de  travessuras anónimas, a coberto do escuro, sem direito a ser corrido  com palavrões que eu cá sei - todos sabemos! -, em bom português.
Desta vez não tive  alternativa: fiquei com a travessura, que trocava de bom grado por uma mão cheia de doçuras, das que tinha para dar aos bruxinhos da  escolinha do Caracol ao Sol.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Beija - flor


(...) O Brasil é um país que me seduz por múltiplas razões.
“Sei” de um colibri que suga o néctar das flores pairando no ar com as asitas em frenética velocidade, como todos fazem; este rodopiou uma, duas vezes à volta da “primavera” e quase a beijou, como se fosse flor. Será – é! – uma imagem romântica, como outras que poderia surripiar da obra do poeta Mário Quintana, por exemplo, mas basta esta para ilustrar a poesia do gesto.
Obviamente, não é só o “beija-flor” que me fascina naquele país irmão. Pouco amante da arte do samba, prefiro a dança do futebol, aprecio a paisagem “africana” de que tenho saudade, e o quentinho do clima – outra saudade, agora ainda mais sentida pelo contraste do frio que vai fazendo por cá (...). 
- Saudades da “primavera” brasileira, isso sim!
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Pedaço da croniqueta  publicada  em março de 2009, intitulada "Insónias e Pesadelos"

domingo, 16 de outubro de 2016

"A última aula” de Randy Pausch

(...) Dizer que estou “moderadamente feliz” implica assumir que, apesar de tudo, alguns pensamentos preocupantes estão adormecidos e talvez despertem, “travestidos em fantasmas”, antes do primeiro sono. Se isso acontecer, conto carneiros – dizem que é remédio santo para adormecer –, é melhor do que somar fantasmas. Acordar depois de uma noite de sobressaltos, não augura nada de bom para as primeiras horas do dia seguinte, o que não impede de sonhar com um bonito dia, mesmo que o céu esteja tapado por nuvens negras e a chuva persista, teimosa…
“Não podemos escolher as cartas que nos são distribuídas, a nossa liberdade reside em saber jogá-las” – Randy Pausch, professor de Ciência Computacional.
Morreu no dia 25 Julho, 2008, com 46 anos, vítima de um cancro no pâncreas
Aconselho vivamente a leitura da “ A última aula”.
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Pedaço de um texto publicado em 2009 no blog "estórias de trazer por casa"

sábado, 15 de outubro de 2016

O gatinho pechisbeque

Encontrei no sótão   um gatinho  catita, peça rara de pechisbeque com honras  de se mostrar às pessoas pela graça da pose...
Depois de um banho com sabão azul  (mentirinha minha, o sabão - verdade, sim, o banho...) deixei-o a secar no parapeito da janela da cozinha. Gosto do "bichano" mas não tenho intenção de lhe proporcionar outra visibilidade que não esta, na cozinha.
Os manos "Tico e Teco" andam por aí, correm que nem o campeão Obikwelu e praticam wrestling  "muito a sério".
Desta vez, nada de correrias nem de lutas  "muito a sério":  o "Teco" decidiu fazer  companhia ao gatinho catita, triste e só no parapeito da janela. Do "Tico" nem sinal -  certamente dormia a sesta na cama da "tia" Rita...
Há coisas que  só visto ... com  uma câmera fotográfica.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Fausto Correia “dixit”…


António Guterres, um humanista secretário-geral da ONU
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Houve um tempo em que os afazeres profissionais me aproximaram da cúpula do Partido Socialista. Certa vez, Fausto Correia (infelizmente “adormecido” no Oriente Eterno), falando de António Guterres, de quem era particular amigo, acrescentava pormenores às suas qualidades pessoais. Quando em viagem, dizia Fausto Correia, Guterres preferia a companhia da música clássica a qualquer outro estilo; e se fosse à conversa com alguém da sua simpatia, fixava  o nome e jamais lhe esquecia o rosto…
Um jantar partidário  com o líder socialista proporcionou  palavras de ocasião, seguindo-se  conversa  mais longa sobre questões técnicas   relacionadas  com  as intervenções  dos oradores agendados para o serão…
Dois anos passados, num comício realizado no Jardim da Sereia, em Coimbra, António Guterres aproximou-se  do palco, de forma  cordial cumprimentou quem estava por perto com um “boa noite a todos”, e quando passou por mim  estendeu-me a mão:
- Olá,  Carlos Ramos, como está ?
Fausto Correia  “dixit”…

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Um pequeno "truque"


Todos os militares portugueses que "deram o corpo às balas" em África, como foi o meu caso, recebem uma vez por ano um pequeno "bónus" em euros. A "gorgeta" deste ano amortizou os custos de um pequeno brinquedo que "alonga" o olhar vinte vezes, diz a Sony, e acrescenta outros "truques". Pelos vistos, é verdade !...