| Lina |
| Lina |
A tarde deste sábado foi talhada à medida das minhas preferências outonais: chuva moderada e frio suportável lá fora, dentro de casa a lareira acesa – além do calor, o crepitar da lenha a arder é uma excelente companhia. É bom de ver que, num dia assim, uso o “fato dos octogenários”, de trazer por casa – prevenir é o melhor remédio, não estou nem um pouco interessado numa gripe, das que aconselham uma ida às urgências da Unidade de Cuidados de Saúde Primários de Arganil, no mínimo.
Aconchegado o corpo, aproveito e alimento o espírito com
música. Para começar Nat King Cole, figura indelével da minha adolescência,
como Nana Mouskouri, por exemplo –
roda a seguir, o LP está à espera de vez. Entretanto, passo a vista pelas notícias do dia, desligo o portátil e ligo a
TV – são tantas as ofertas disponíveis mas
nenhuma seduz o meu estado de espírito, talvez
um filme, quem sabe… talvez , talvez …
Fico na TV e revejo a "fita", baseada na autobiografia do condenado francês Henri Charrière . A história é dramática, pesada - não é um tipo de cinema do meu agrado, mas… “Pappilon” tem muito a ver com as memórias da minha adolescência. Podia rebobinar “outros filmes” desse tempo em que os sonhos tinham asas de condor e voavam…
Anos atrás, no jornal "Correio da Beira Serra", assinei uma rubrica denominada "Figuras". Certo dia reencontrei um jovem conterrâneo, com origens no Barril de Alva e no Pinheirinho, como eu. Da conversa breve publiquei o "retrato escrito" do Carlos Gouveia - prometeu e cumpriu!
Vénia ao Carlos pela sua sensibilidade estética, como se verá em breve...
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| Lenita Gentil e Olga Cardoso no sarau da SFB |
Ao longo de toda uma vida procurei seguir os seus conselhos - é por isso que, aos oitenta, continuo "de cabeça erguida", sempre que possível com um sorriso no rosto. rodeado pela melhor "família do Universo" !
Carlos Leal apresentou no passado dia 1 do mês corrente o seu livro “UMA TERRA DA BEIRA”,
“Aconchego de Memórias” – “…tributo à Benemerência e ao Bairrismo dos
Barrilenses, subsídios para a História da União e Progresso do Barril de Alva”.
O livro “UMA TERRA DA BEIRA”, no seu todo, é um manancial de conhecimentos
recolhidos em fontes fidedignas que “(…) resgatam
a história do Barril de Alva e reconhece as personalidades que contribuíram
para o seu desenvolvimento” - 390 páginas distribuídas por capítulos, o que
permite ao leitor a escolha dos assuntos da sua preferência - basta consultar o
índice.
O leitor, de certo modo, é "convidado" a setorizar a gestão das
suas leituras sem perder o "fio à meada".
“Uma Terra da Beira", para a família barrilense, é de leitura
obrigatória - para todos os efeitos, é o melhor complemento de uma visita à
Casa /Museu "Os Barrilenses são Assim".
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| "Night Stars" |
Eleições à porta - a aldeia do Barril de Alva, pelo facto de ter ficado sem a sua independência administrativa, não é alheia ao momento histórico de um tempo onde, ao que parece, o povo a que pertenço se ausenta da sua responsabilidade participativa nos atos eleitorais com a consciência aparentemente tranquila. E se ela, a consciência, tem laivos de rebeldia por algum tipo de descontentamento, é “moda” mudar do “certo para o incerto”.
Sem mais delongas: importo-me com o meu concelho e, naturalmente, com a minha freguesia. Tudo o que vier por bem - dos projetos das ideias à competência dos candidatos - mesmo assim, justifica ponderação de quem tem a obrigação cívica de colocar a preceito uma cruz num “quadrado mágico”. Esse é o momento solene para “apostar no certo” e abandonar a ideia peregrina de que, desta vez, com desdém, se “mandam às malvas” os valores democráticos que sustentam o País que somos.
Por mim, sigo os ensinamentos de Fernando Vale: “Quem faz o que pode, faz o que deve”…
| Lembrança da F.A.V.A. |
| Cervejaria Sibéria - rua do Porto, Lourenço Marques |
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| Estádio Olímpico de Amsterdão,na Holanda - 2 de Maio de 1962. Benfica,5 - Real Madrid, 3 |
Ontem aconteceu o “milagre das flores” e a mãe Natália “era
uma delas”…
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| Largo do Minho - foto retirada da internet com a devida vénia |
| A novidade do mapa promove o espaço, o concelho e a região |
O "melhor 25 de Abril de sempre" aconteceu na minha amada terra natal no ano de 2010 graças ao empenho de um grupo de jovens na descoberta da "Pedra Filosofal", (...)uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer (...) - António Gedeão.
Que o "sonho" permaneça vivo em todos nós - agora e sempre...
Lourenço
Marques vibrava com os "CORSÁRIOS"
e os "NIGHT STARS", grupos
com elementos talentosos e populares na juventude laurentina – a minha preferência
ia direitinha para as “estrelas da noite”
Mário Ferreira, na guitarra, Carlos “Canguru”,
na bateria, e para a voz do fantástico Bob Woodstock – o "Chubby
Checker moçambicano"!
É neste “mundo maravilhoso” que alguns sonhadores, mas “bons rapazes”, bem diferentes no porte e nas ideias dos populares Irmãos Metralhas dos desenhos aos quadradinhos, batizam com o mesmo nome dos “malandros” da banda desenhada o seu recém-criado conjunto musical. Nasciam os “METRALHAS”!
O grupo dos "aspirantes" a músicos era composto por “Vítor Moreira (viola
baixo),Vítor Saúde (viola solo), Palhota (viola ritmo), Galinha (bateria) e Baião (vocalista), mas nunca
concretizado - apenas as violas foram
parcialmente fabricadas na carpintaria da Escola Industrial pelo Castanheira.
Mais tarde, a sede dos METRALHAS foi inaugurada na garagem da casa do Vítor
Saúde” – texto retirado da página do facebook,
que os saudosistas mantêm viva,
embora desatualizada, fruto das contingências da vida.
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| Inauguração da sede dos "METRALHAS" |
O que me aproximou deste “grupo de bons rapazes” foi uma morena de olhos azuis com nome “italianizado”, vizinha dos irmãos Zeca e Galinha, do Vítor Saúde, do João, da Cuca e da Anabela Cordeiro, que era uma “miúda muito gira”, mas pouco dada a conversas. A bem dizer, tocar um instrumento musical nunca foi o meu forte, daí a minha ausência da essência dos “METRALHAS”, mas não da parte social dos elementos do grupo que continuam “na viagem”, como o João de Sousa, Henrique Batista, Vítor Moreira…
A saudade dos que “partiram para parte incerta” faz parte das nossas conversas durante ocasionais mas gratificantes convívios familiares. Se tudo correr como previsto, em Maio próximo será o terceiro encontro dos “METRALHAS” na Beira Serra, zona da minha residência.
Revisitar o Piódão e a Fraga da Pena, conhecer a cidadela romana da Bobadela (Oliveira do Hospital), a milenar Igreja Moçárabe de Lourosa e o Santuário de Nossa Senhora das Preces (Aldeia das Dez), tomar o pequeno - almoço na Praça da “Princesa do Alva (Coja) e “descobrir” a história da minha aldeia através de uma visita à Casa/Museu do Barril de Alva (que já entrava no cadastro da população do Reino de 1527 e foi a terra natal dos Fundadores dos Grandes Armazéns do Chiado, em Lisboa), além do deslumbre das vistas da Serra do Açor… haverá “melhor programa” para oferecer aos meus irmãos do coração?
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| Os "METRALHAS" e respetivas familias na Beira Serra A imagem dos "cokuanas" (homens) recorda a visita /surpresa de alguns de nós ao Zeca no seu aniversário, em Santarém |
Tanto na rua de baixo / Como na rua de cima / Toda a gente se conhece / Toda gente se estima / E se alguém te quiser mal / Não tens nada que temer / Tens cá a Rua da Guarda / Que te há-de defender”
Como consta de um documento oficial, (…) esta aldeia ignorada já entrava no cadastro da população de 1527 com a sua dezena de habitantes (…)! – Dr Alberto Martins de Carvalho.
- Bem velhinhas, as raízes do meu sítio…
Sou suspeito, de facto, quando afirmo que a minha terra é linda de ver; bonita e airosa espraia-se por encostas suaves até à margem direita do rio Alva – dos pontos mais elevados, as vistas para a Serra do Açor são soberbas!
Para que conste: MARCHA DO BARRIL DE ALVA:
Quem foi António Silvestre? Nascido no Barril de Alva, ”emigrou” para Moçambiqe, onde fundou a Cervejaria Coimbra, sem sombra de dúvidas, uma das melhores casas do género de Lourenço Marques!
Como acontece com os grandes “hits” musicais, a marcha do “nosso” Bairro, depois do sucesso obtido em Lourenço Marques, com ligeiras adaptações, alcançou êxito nesta pequena aldeia da Beira Serra, “plantada à beira do rio Alva”.
Por cá, agora, pouco se ouve “A Marcha do Barril de Alva” – quem (ainda) canta a preceito é uma jovem do meu tempo – a Fernanda Castanheira!
… O tempo passa. As coisas mudam – tinha razão o meu antigo vizinho João de Sousa.
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| 1946 - Marcha da Malhangalene nas festas de Lourenço Marques |
Um amigo, a propósito do repiso de algumas memórias e das estórias que construo a partir das ditas, afiançou que “sofro de uma doença sem cura” - respondi com um sorriso seguido de palavras que tinha na ponta da língua:
- Ah, mas é uma “doença boa” e tem cura…
... basta o placebo de qualquer coisa - pessoas e lugares, os Night Stars e os Corsários, o Zambi e os Velhos Colonos, os colégios Marques Agostinho e Camões, calças à boca de sino e minissaias, paisagens de céu e mar, flores e florestas, borboletas e elefantes, marimbeiros de Zavala e pescadores de Homoine, o John Orr's, a Casa Vilaça e outras “vidas” passadas, e curo a nostalgia dos tempos em que, naturalmente, sendo jovem, sonhava com a Pedra Filosofal , “…coisa muito desejada mas impossível de atingir”.
Cito de passagem, mas sem ser por acaso, a Casa Vilaça, em Lourenço Marques, pela importância da descoberta de um mundo novo, do qual faziam parte cristais Lalique, Daum, Baccarat, porcelanas Vista Alegre, Limoges, Sévre e Capodimonte, as miniaturas Dinky Toys, Matchbox … e outras marcas internacionais de renome que “tratei por tu”, mas com delicadeza no trato quando decorava os escaparates do estabelecimento ao melhor estilo do que se via na Europa, segundo os valiosos ensinamentos do “tutor” Vilaça.
…Na ausência de algumas valências físicas, para que a (minha) memória não se apague, conto estórias - é um santo remédio para curar a minha doença que, segundo um dos meus amigos, não tem cura – mas tem, como se “vê”!
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Imagens do site THE DELAGOA BY WORLD, surripiadas com a devida vénia - https://delagoabayworld.wordpress.com/2012/05/01/ver-as-montras-em-lourenco-marques-e-a-casa-vilaca-anos-1960/
-A Bola foi e continua a ser o “meu jornal”!
Junto a excelência dos textos de Carlos Pinhão ao génio do fotógrafo Nuno Ferrari e, com facilidade, regresso aos anos sessenta, em Lourenço Marques, com memórias importantes da minha adolescência - sempre com a presença da ”Bola” e do “meu Benfica” que, na época dourada daquele tempo, “enfeitiçou” milhões de portugueses graças aos xicuembos do Costa Pereira, do Coluna, do Eusébio, moçambicanos de gema.
Carlos Pinhão “fez de mim” aprendiz da arte de que era mestre – durante trinta anos dei sentido ao prazer da escrita em diversas publicações…
A Bola com as suas reportagens, transformou simpatia em “paixão” pelo Benfica - fui atleta júnior do Sport Lourenço Marques e Benfica…
É por isso que “Sou do Benfica /e isso me envaidece…”
- E sou da “Bola” –“… um clube (jornal) lutador/que na luta com fervor/nunca encontrou rival/neste nosso Portugal…”.
Vida longa ao jornal A Bola.