terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pequenos prazeres

O frio, lá fora, é intenso - zero graus às nove da noite!
Janto peixe assado no forno, regresso ao conforto da lareira acesa, aqueço-me o suficiente para ganhar coragem e voltar à cozinha, quase gelada...
Tomo um chá de camomila bem quente, e como me apetece o gosto de figos secos, levo seis na mão. De seguida, retiro a rolha do garrafão de cinco litros, meio cheio (ou meio vazio?) de aguardente de medronho ( dos tempos em que a mãe Natália recolhia os frutos das árvores que ainda  existem no Calvino, na companhia da "ti" Aida - agora com mais de noventa primaveras...), encho um copinho,  volto ao sofá, ao quentinho da lareira e ao ASUS...

domingo, 25 de novembro de 2012

Ziguezaguear

Escrevo como quem corre cem metros; passadas largas e poucas palavras devem bastar para chegar às metas a que me proponho.
Arfo de cansaço e ainda mal comecei…
... O pensamento, veloz, adianta-se e corta a meta antes de mim
 Ganhei ou perdi a corrida?

sábado, 22 de setembro de 2012

Nostalgia à sobremesa


Hoje vou ter vinte e três anos - nem mais um! - e volto a Inhambane e à praia do Tofo; depois,  embarco no barquinho para Maxixe, no outro lado da baía.
Com sorte, terei por companhia a mulata mais bonita de todos os sonhos de cada soldado que com ela se cruza.
Com sorte, apanho um peixe voador!
Com sorte, a  dose de galinha assada na brasa, à cafreal, acompanhada de batata frita, está pronta a sair; o almoço há-de durar  o tempo de muitas conversas.
Como de costume, vou pedir uma catembe para empurrar com goles suaves a galinha e as batatas. E o papo-seco, fabricado  no dia anterior, ou no anterior a este.
Vai ser assim:  uma tarde em cheio, com  nostalgia à sobremesa.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

...e há a nossa!

Dizia-me um amigo, a propósito de um namorico ocasional:
-  (...) há três tipos de mulheres: as boas mulheres, as mulheres boas e as gajas!
Acrescento eu, na esperança de que o meu amigo me leia e entenda:
- Ao grupo de três, junto mais um:  a (s) nossa (s)  - (mãe, esposa ou filha)!!!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pensando bem...


Pensando bem, o melhor é assumir  a minha aversão à violência – seja ela física ou verbal.
Da primeira quero distância, e da segunda  às vezes aproximo-me - aguento-a com tento na língua e  vou à luta quando o opositor justifica que esgrima argumentos.
Admito as minhas fraquezas e a ignorância do desconhecido; apenas sei  “ ler e escrever”, e a inteligência não me presenteou com a erudição dos predestinados.
O carácter, esse desejo-o firme quando vacilo, não importa quando, onde e porquê – sendo humano, caio e levanto-me as vezes que forem precisas. Obviamente, recuso-me a existir de joelhos no limbo da minha consciência, que morrerá  inteira se, para tanto, o juízo não me atraiçoar um dia destes …
Aprecio o belo de cada coisa e olho o horizonte com a atenção que é devida ao Universo. Mais perto, à distância dos sentidos, a sensibilidade de que sou capaz permite a paixão do amor - de todo o amor! Assim sendo, insisto na denúncia da minha teimosia: gosto, por que sim, sem nenhuma explicação adicional para este mau feitio de quem permanece fiel à estética do amor.
Setembro / 2011

Encruzilhadamente

Por que espero, se desespero? 
E por que fico, se quero ir?
E por que vou, se quero ficar?
E por que insisto e não desisto?
Isto é loucura ou desventura?
Inconsciência ou pertinência?
Sabedoria ou estupidez?
- Mania?
Talvez...

  RiTuAl /06

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Silêncios



Miríades de silêncios na troca de conversas... até um dia:
Ele:
- Olha nos meus olhos e escreve uma verdade sem palavras!
Ela:
- Só sei sorrir!
Sem ter com que escrever, perdeu o sorriso - e as palavras também...


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Por falar de sexo...

Diz uma das minhas amigas, viúva, na casa dos quarenta:
 - "...do que precisava era de um homem que me fizesse rir de quando   em vez, e tenho imensas saudades de  boas conversas, inteligentes, cultas, diversificadas..."!
Inverto os papeis, e faço meu este desabafo, quase dolorido, que retive  durante um jantar que juntou uma mão cheia de gente bonita, por dentro e por fora - espécie de viagem ao passado, quando o RiTuAl  (bar) era  "a nossa casa"...

domingo, 15 de julho de 2012

"Estórias Abensonhadas" II

"...- Sabe, filho. A vida é um perfume..."!
( Mia Couto  " Estórias Abensonhadas")

"Estórias Abensonhadas" I

"...Toda  madrugada confirma: nada, neste mundo, acontece num súbito...
( Mia Couto  " Estórias Abensonhadas")