segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Carlos Leal - "UMA TERRA DA BEIRA"

 


Carlos Leal apresentou no passado dia 1 do mês  corrente o seu livro “UMA TERRA DA BEIRA”, “Aconchego de Memórias” – “…tributo à Benemerência e ao Bairrismo dos Barrilenses, subsídios para a História da União e Progresso do Barril de Alva”.

O livro “UMA TERRA DA BEIRA”, no seu todo, é um manancial de conhecimentos recolhidos em fontes fidedignas que “(…) resgatam a história do Barril de Alva e reconhece as personalidades que contribuíram para o seu desenvolvimento” - 390 páginas distribuídas por capítulos, o que permite ao leitor a escolha dos assuntos da sua preferência - basta consultar o índice.

O leitor, de certo modo, é "convidado" a setorizar a gestão das suas leituras sem perder o "fio à meada".

“Uma Terra da Beira", para a família barrilense, é de leitura obrigatória - para todos os efeitos, é o melhor complemento de uma visita à Casa /Museu "Os Barrilenses são Assim".



terça-feira, 21 de outubro de 2025

Bob Woodcock - o "maior" daquele tempo

"Night Stars"
Tempos atrás reencontrei no Facebook um dos meus cantores preferidos, com quem privei de perto algumas vezes durante as "festinhas" na bonita e saudosa cidade de Lourenço Marques.
Aproximei-me do "melhor grupo" de Moçambique pela mão do Carlos Alberto, conhecido como "canguru", baterista de vários grupos, mas foi no "...conjunto Night Stars, uma famosa banda musical que se formou em Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique, nos anos 60... " que se destacou, como o BOB, o "vocalista", de seu nome Roberto Winston Woodcock, de quem vos falo com estima e amizade e a quem envio um forte abraço.
Para ficarem a conhecer um dos meus cantores preferidos, façam o favou de clicar no vídeo que segue...
* Lembrar ainda o Mário, um "mago" na guitarra, o Alex, o Guita e Sousa...

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

A última Junta



A equipa que liderei na Freguesia do Barril de Alva nos últimos quatro anos da sua existência (2009/2013) deixou obra feita, como é (ainda?) reconhecido pelo povo da minha terra, “…exemplo a ser seguido…” por autarquias de dimensão semelhante, como acentuou, na época, o presidente da Câmara Municipal de Arganil durante um encontro de contexto institucional.
A força da vontade de “fazer mais e melhor”, o espírito criativo do executivo, a plena entrega à causa pública, a liderança honesta e serena, eram os condimentos essenciais para lutar – como lutámos! – pela manutenção da Freguesia do Barril de Alva.
O sonho de, pelo menos, cumprirmos mais um mandato desfez-se como bola se sabão, ficando pela metade a construção do harmonioso jardim, planeado com régua e esquadro, concretamente:

- o aproveitamento da casa dos professores da escola, transformando-a em dois apartamentos de razoáveis dimensões, a continuidade da escolinha “Caracol ao Sol”, o acrescento de mais valias à Área de Serviço para Autocaravanas (reconhecida internacionalmente como das mais bonitas do país, pela estética e localização), a recuperação do campo de jogos da Associação Desportiva, Recreativa e Cultural Barrilense, legalização do projeto de loteamento de um terreno urbano, etc, etc.
“Um jardim sem flores não existe”: foram plantadas dezenas de árvores, roseiras e outras plantas de pequeno porte… e não faltava espaço e vontade para continuar a alindar e enriquecer o “jardim”!

E havia um plano para fazer da zona de banhos, junto à ponte, uma das melhores praias fluviais da região com a “simples mudança“ da roda de alcatruzes da margem esquerda para a outra margem, aproveitando a queda das águas para alimentar uma piscina de água corrente, a edificar no local onde existia um campinho de jogos!

Já nessa altura, a grande preocupação do executivo estava relacionada com a falta de eleitores residentes. Sem outras (?) possibilidades de atrair pessoas, o Turismo de qualidade era a nossa aposta consciente.
… E borbulhavam OUTRAS ideias na minha mente, do João Gouveia e do Constantino Moura, “tão grandes como o tamanho da minha aldeia”, que é tão grande como outra terra qualquer" – Alberto Caeiro.
*
A poucos dias das eleições autárquicas, o pregão das médias, grandes ou pequenas obras é um dado comum nas ideias de quem as tem. Amigos meus, residentes na sede da freguesia, entre sorrisos, “brincam” com a minha aldeia:
- Ah, o Barril de Alva é um dormitório de Coja!
- Antes fosse, digo eu, era sinal que usavam o nosso código postal e tinham o nome próprio a seguir ao ítem ... local da residência:
- BARRIL DE ALVA!

(… Com a “intervenção dos bons ofícios” da Santa Maria Madalena, Santo Aleixo, S. Simão e de mais eleitores, talvez um dia possamos erguer de novo a voz da autonomia administrativa. Quem sabe?).

Calbertoramos

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Uma cruz num “quadrado mágico”



Fernando Vale: 
“Quem faz o que pode,
faz o que deve”…

Eleições à porta - a aldeia do Barril de Alva, pelo facto de ter ficado sem a sua independência administrativa, não é alheia ao momento histórico de um tempo onde, ao que parece, o povo a  que pertenço se ausenta da sua responsabilidade participativa nos atos eleitorais com a consciência aparentemente tranquila. E se ela, a consciência, tem laivos de rebeldia por algum tipo de descontentamento, é “moda” mudar do “certo para o incerto”.

Sem mais delongas: importo-me com o meu concelho e, naturalmente, com a minha freguesia. Tudo o que vier por bem - dos projetos das ideias à competência dos candidatos - mesmo assim, justifica ponderação de quem tem a obrigação cívica de colocar a preceito uma cruz num “quadrado mágico”. Esse é o momento solene para “apostar no certo” e abandonar a ideia peregrina de que, desta vez, com desdém, se “mandam às malvas” os valores democráticos que sustentam o País que somos.

Por mim, sigo os ensinamentos de Fernando Vale: “Quem faz o que pode, faz o que deve”…


sexta-feira, 5 de setembro de 2025

“O meu desejo de ser útil é inabalável”




Há um tempo para andar de braço dado com a utilidade do bem-fazer junto da comunidade a que pertencemos; quando o intelecto e as forças dão sinal de fraqueza, o melhor mesmo é manter o espírito solidário e disponibilizar algum do conhecimento adquirido ao longo de uma vida sempre que para tal for solicitado.
O meu desejo de ser útil à terra onde nasci, Barril de Alva, e à terra (Coja) que me “adotou como filho”, segundo “decisão sentimental” pública do falecido padre António Dinis em fevereiro de 1982, permanece inabalável.
Depois de recusar outra distinção na lista, aceitei o honroso convite para ocupar o último lugar na candidatura do Partido Socialista à União de Freguesias de Coja e Barril de Alva, assumindo a minha posição solidária e fraterna perante a equipa liderada pelo Jorge Paulo Amaral, a quem perspetivo uma vitória sem rodeios.
Acredito na dedicação e no trabalho de TODOS ao serviço da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva, de acordo com o grau de qualidade e competências de cada membro.
- O que não falta no nosso território é trabalho!

Carlos Alberto Ramos

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Um guardanapo como recordação

 

Lembrança da F.A.V.A.

Na passada sexta-feira, durante o espetáculo da F.A.V.A,, em Coja, o público aderiu ao serão em grande número. O estilo do concerto não “pedia” lugares sentados, mas havia algumas mesas corridas com bancos, cobiçadas pelos espectadores; eu, a Lurdes e mais uns amigos ocupámos uma…
Enquanto as “imperiais” não chegavam, corri o olhar pelo Prado e prestei atenção à mesa, onde estava um papel branco - era um guardanapo, que desdobrei com cuidado, por sorte minha, de outro modo não teria ficado encantado com a minúcia dos pequenos desenhos, obra de alguém dotado com talento e imaginação, a quem teria gostado de parabenizar pela sua arte.
A pequena “tela” veio enriquecer o meu arquivo de recordações semelhantes, alguns da autoria do meu fraterno amigo Carlos da Capela, da Benfeita, do Roby Amorim, antigo colega dos jornais, e de outras personalidades da mesma área com quem tive a honra de privar.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Memórias da "Sibéria"

 

Cervejaria Sibéria - rua do Porto, Lourenço Marques

Em 1962, além de estudar (colégio Marques Agostinho / Camões?) e dos primeiros passos como vitrinista na Casa Vilaça, joguei futebol nos juniores do Sport Lourenço Marques e Benfica. Nos fins-de-semana e tempos extra, havia a J.O.C. da Malhangalene (Juventude Operária Católica) e “OS METRALHAS” (espécie de clube “só” de rapazes ).
À “mão de semear”, na Rua do Porto, havia a Cervejaria Sibéria, onde eu e alguns amigos do bairro confraternizávamos ao redor da mesa com “Laurentinas”, Catembes, Tricofaites” e outras especialidades sem álcool, como os refrigerantes “Tombazana”, Ginger Ale, Coca Cola – água pouco, ou nada.
A casa onde morava ficava virada para a Mercearia Cordeiro, à distância de poucos metros da “Sibéria”.
Guardo memórias desse tempo, mas o grande “marco histórico” de 1962 (e dos convívios na “Sibéria”!) foi a vitória do Benfica sobre o Real Madrid por 5 -3! Pela segunda vez o “nosso” Benfica era campeão europeu!!!
Nesse dia, não havendo TV,  "vimos o jogo" através do relato da Enissora Nacional, muito bem acompanhados por  "loirinhas"  fresquinhas! 

 Estádio Olímpico de Amsterdão,na Holanda - 2 de Maio de 1962. 
Benfica,5 - Real Madrid, 3


Curiosidade
Na fachada do edifício da “Sibéria” existiam uns pequenos desenhos (?) alusivos aos profissionais da construção civil; depois do regresso à terra natal em 1975, tive a honra de conviver com o Dr, Fernando Vale, Maçom e fundador do Partido Socialista, o que me levou a uma “viagem” voluntária pelos caminhos dos Pedreiros Livres, termo que se refere à Maçonaria. 
Continuo na dúvida sobre os “desenhos” da Cervejaria “Sibéria” … 
O edifício da Escola Industrial de Lourenço Marques, em tempos idos, "(...) foi o maior templo maçónico em todo o espaço português e um dos maiores no Sul de África – é o que diz da História.


O tempo de todos os sonhos



terça-feira, 15 de julho de 2025

Um "fato novo"



Visitei o histórico de um blog moribundo e recuperei um texto sobre o Urtigal – coisas do meu agrado (tudo o que leio e escrevo sobre o Barril de Alva são “coisas” do meu agrado…).
Na altura, rematei a peça original com uma ideia poética e agora, depois de reler, ponderei se devia acrescentar mais umas linhas no mesmo estilo. Como a inspiração não abunda nesta tarde de terça-feira, pensei experimentar um “fato novo”, semelhante a outros em voga nos tempos de agora: cliquei na IA da Google e colei a tal “coisa do meu agrado”:

Junto da bica água cristalina
à corrente a caminho do Mondego
e faço do olhar mirante da paisagem
- como é belo o Urtigal !
 
“Gentilmente”, pedi a “alguém do outro lado” que completasse o texto. Segundos depois, “ofereceram-me” um poema catita, que segue, com a devida vénia ao “autor”:

Na sombra, junto à bica,
água cristalina escorre,
um murmúrio que me toca,
paz que a alma me socorre.
À corrente do Alva, ligeira,
sigo o curso, em pensamentos,
a caminho do Mondego.
E faço do olhar mirante fiel,
testemunha da beleza infinda
- um doce mel,
onde a vista se deleita e finda.
Ah, como é belo o Urtigal,
com seu verde que irradia,
um recanto quase irreal,
onde a natureza nos guia.

E é isto.
O "fato novo" não foi feito à minha medida... mas "serve-me"! Se o futuro é “isto”… quem sou eu para “contestar”? 

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Natália - a flor...


 A planta estava moribunda num canto do jardim quando a encontrei. Era a única espécie  que restava do tempo da mãe Natália, que  tinha imensa “sorte” com as flores – era o que eu pensava: bastava um pequeno galho espetado num vaso e, era certo, daí a uns tempos o vaso ganhava outra vida,  mais colorida…


Como não tenho a mesma “sorte” da mãe Natália, levei anos (!!!) a recuperar esta plantinha –  repousar  o olhar nas florinhas amarelas era uma “necessidade”  emocional.

Ontem aconteceu o “milagre das flores” e a mãe Natália “era uma delas”…


quinta-feira, 3 de julho de 2025

- Dê aí uns rebuçados aos miúdos, depois pago…





Além do “Chiado” e do Talho Quaresma, a comunidade do Barril de Alva tinha à disposição outros estabelecimentos comerciais: a taberna do “ti Zé” Candosa, a mercearia do Coelho, os serviços do barbeiro António do Vale (regedor da terra), do tamanqueiro "ti" Albano e de um ferreiro.
Naquele tempo, além da indústria de madeiras, no Barril de Alva havia uma fábrica de bolos secos, propriedade de Joaquim Trindade, duas padarias e o João Abrantes dedicava-se ao fabrico de bonecos de papelão, utilizando moldes próprios.



Um outro espaço comercial, com negócio multifacetado, ao estilo do Chiado, pertencia ao José Valentim, pessoa de muitos saberes e ocupações - além do exercício da sua profissão, era membro ativo dos corpos sociais da Filarmónica e correspondente de jornais.
Junto ao seu estabelecimento,  no outro lado da rua, nos dias de folga jogava-se à “malha”. Os bancos da “esplanada” que se destacam na imagem, ficaram mais baixos depois dos vários arranjos na “avenida” mas, se “falassem”, contavam estórias sem fim, a condizer com a alegria de acertar com a malha no “fito” e dos copos do “tinto” do pipo, que tinha um torneia “sonora”:
-“Cherrrrrrrrrrrriii…”
Eu e outras crianças, da “esplanada”, apreciávamos o entretenimento dos homens.
Às vezes, um jogador pedia ao senhor José Valentim:
- Dê aí uns rebuçados aos miúdos, depois pago…