quinta-feira, 28 de setembro de 2017

"Satanhoco" - o caluniador

Já é manhã do dia seguinte. 
Agora, com tempo, exercito a mente: ouço sons de "cornetas" como se fossem "arautos da desgraça alheia", e é por aí que me fico na incerteza se devo, ou não, marcar vez na banca de um qualquer adivinho, o vulgar bruxo (no creo en brujas, pero que las hay, las hay - em espanhol dá mais "categoria"...) para que a sua bola de cristal me "garanta" o nome do (a) corajoso (a) caluniador (a). Não é por nada, mas sempre podia esquecer durante breve tempo as boas maneiras... 
Além do dicionário do Torrinha, usava de memória outros "nomes bonitos", dos que aprendi em terras de Moçambique, como "satanhoco", por exemplo, que é dos mais leves - "não mata, mas " desmoraliza... 

"Ser ou não ser galinha" - eis a questão

Não sei se estava com cara de caso, setressado talvez (o que não é de admirar quando as más notícias chegam ligeiras pela manhã...
Portanto, naquele dia devia estar com cara (e disposição!) de poucos amigos.
Fora de portas, longe de casa, cruzei-me com uma senhora, que cumprimentei sem afivelar nenhum estilo de sorriso.
- Boa tarde, como tem passado?
Recebo o troco do cumprimento e um sorriso bonito:
- Boa tarde, como está?
Ainda sem estilo no sorriso, respondo:
- Estou ótimo, "bom como o milho"...
Resposta rápida e acutilante da senhora:
- Bolas, já não quero ser galinha!!!
Gargalhei como um "menino de coro" e fui à minha vida.
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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Roby Amorim


Durante cerca de um  ano tive a honra de trabalhar  ao lado de uma das figuras marcantes do jornalismo nacional. De forma muito particular,   foi o meu mestre  nos "segredos" de  conduzir uma reportagem.
Palavras de quem o conheceu  mais de perto: 
(...) "Na equipa de reportagem de O Século ele era a figura mais importante", conta Rui Cabral à Lusa, salientando também a sua faceta de "grande contador de histórias", a capacidade para se rir de si próprio ou a "arte de escrever entre as linhas", quando era preciso fintar a censura ...).
(...) Fernando Correia de Oliveira, que trabalhou igualmente com Roby Amorim, lembra na sua página na Internet os desenhos feitos misturando borras de café, ou o "eterno cigarro" e o "saber enciclopédico" do jornalista. Roby Amorim recebeu por duas vezes o Prémio Pereira da Rosa (1971 e 1972) e em 1973 o Prémio Nacional de Jornalismo Afonso de Bragança. "Estava a preparar um romance histórico, baseado na figura de uma avó", conta também Fernando Correia de Oliveira...).
As memórias que ilustram esta página vêm desse tempo, do tempo do "telex" - o jornal.
Roby Amorim, o mestre, faleceu em dezembro de 2013.


terça-feira, 25 de julho de 2017

Como no cinema...







Quem não tem memórias das  "fitas" de cinema protoganizadas  por  esbeltas  mulheres com quem "sonhamos o sonho" de fazerem parte das nossas vidas? Ou nós das vidas delas...
Dos meus sonhos de adolescente guardo para sempre  o encanto desta figura a preto e branco por quem me apaixonei perdidamente - eu, no "outro lado do mundo", do seu mundo...
Há sonhos assim, sonhados, como no cinema.

domingo, 23 de julho de 2017

Hoje, sim...

Não sei se é de mim, mas vejo e sinto o dia lindo, lindo - deve ser dele, do dia, ou então das horas a mais que passei enrolado nos lençóis...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O facebook do "tarzan", o gato

Um dos meus gatos nasceu para caçar. E para calcorrear o mundo dos quintais sem cuidados,  pela ausência das pessoas. Não podia ter outro parque de diversões, nem maior, nem melhor - como se fosse o seu facebook...
Como é "meu amigo", tudo o que apanha, deposita no tapete, do lado de fora da porta de entrada.  Se desprezo a caça, ele "fala" e diz   miauuuuuuu  -  e recomeça, brinca, brinca  com a vítima, já inconsciente, morta.  E consome o que mata, quando mata

sexta-feira, 30 de junho de 2017

"Monte dos Vendavais"

Das minhas memórias em papel, acumuladas em mais de meio século, a lembrança de um episódio faz com que viaje ao tempo do liceu e aos meus doze anos de gente.
Aluno do 2º ano do Externato Alves Mendes, em Arganil - famoso na região da Beira Serra pela competência dos professores que o diretor Homero contratava -, tinha chegado o tempo da longa viagem que havia de mudar radicalmente a minha existência. O destino era Lourenço Marques, em Moçambique...
No meu último dia de aulas fui surpreendido com algumas manifestações de simpatia, mas o gesto da professora de Matemática, de seu nome Lurdes, teve o condão de me despertar o prazer da leitura.
Depois de uma visita à livraria da "Comarca de Arganil", a professora retirou da prateleira um exemplar da obra de Emily Brontë, "Montes dos Vendavais, e numa das páginas interiores escreveu 

-"Para o Carlos, uma lembrança da professora amiga, MLurdes".

Reencontrei-me  de novo com a leitura da obra da escritora que usava um pseudónimo masculino.
...O hábito de  ler, já em Lourenço Marques, levou-me ao desconhecido (para mim) Anna Karénina , de   Tolstoi . Foi um "empreendimento intelectual" cansativo, confesso.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

"telex" - o jornal

Em 1976 fiz parte de um projeto com "pernas para andar", mas ficou sem as ditas um ano depois...
Os proprietários do telex, o novo semanário, sonhavam alto, tão alto que imaginavam destronar o Expresso!
E como o "sonho comanda a vida", eu (regressado de Moçambique) e mais uma mão cheia de jornalistas de gabarito (José Mensurado, Francisco Máximo, João Carreira Bom, Robi Amorim, Samy Santos, etc, etc...) embarcámos no sonho.
No último fim de semana, às voltas com as minhas memórias em papel, dei com alguns exemplares do telex. Como gosto de mudar coisas, alterei o título do sarabanda, o blog - uma mania como outra qualquer.

S.S. - Por qué no te callas? Canta, simplesmente

Fui um dos portugueses que acompanhou a noite passada pela TV o desfile das grandes vozes presentes  no MEO ARENA. 
O gesto solidário de quem participou no espetáculo, que teve por finalidade angariar  fundos para as vítimas  dos violentos incêndios que consumiram pessoas e bens, comoveu a maioria dos portugueses, eu incluido. Quem pisou o palco, como intérprete, cumpriu o seu papel a preceito e deixou recados, também eles solidários. Era o que se "pedia" a quem se "venera".
S.S. é a  "vedeta" nais recentte das nossas emoões . Sou um dos portugueses que aprecia o seu talento e a irreverência da postura com que leva  a Carta a Garcia., mas...
Ontem, o serão do MEO ARENA dispensava palavras brejeiras.
S.S. cumpriu, cantando. O resto era desnecessário.
Por qué no te callas? Canta, simplesmente

domingo, 4 de junho de 2017

Rio Alva - "poeta e sonhador"

Os rios Mondego, Alva e  Zêzere nascem na Serra da Estrela. 

"Conta a lenda que, um dia, discutiram a valentia de cada um e acertaram numa corrida que esclareceria a questão: quem chegasse primeiro ao mar seria o vencedor.
O Mondego levantou-se cedo e começou a deslizar silenciosamente para não atrair as atenções. Passou pela Guarda e pelas regiões de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim e pela Raiva, onde se fortaleceu junto dos ribeiros seus primos, chegando por fim a Coimbra.
O Zêzere, que estava atento, saiu ao mesmo tempo que o seu irmão. Oculto, por entre os penhascos, foi direito a Manteigas, passou a Guarda e o Fundão, mas logo depois se desnorteou e, cansado, veio a perder-se nas águas do Tejo.
O Alva passou a noite a contar as estrelas, perdido em divagações de sonhador e poeta. Quando acordou, era já muito tarde mas ainda a tempo de avistar os seus irmãos ao longe.
Tempestuoso, rompeu montes e rochedos, atravessou penhascos e vales, mas quando pensava que tinha vencido deparou com o Mondego, no momento que este já adiantado chegava ao mar. O Alva ainda tentou expulsar o seu irmão do leito, debatendo-se com fúria e espumando de raiva, mas o Mondego engoliu-o com o seu ar altivo e irónico.
Este lugar onde os dois rios lutaram ficou para sempre conhecido como Raiva, em memória da contenda entre os dois irmãos".