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Mãe Natália, "madrinha de guerra", uma conterrânea e dois amigos do grupo "Os Metralhas" |
Em 1968, ainda a cumprir a tropa em Inhambane, Moçambique, o médico da CCS (Companhia de Comando e Serviços) deu-me guia de marcha para o Hospital Militar em Lourenço Marques, com a intenção de ser debelada uma dor chata num dos meus dentes. Fiquei por lá durante alguns dias, à espera de vaga na longa lista de internados — alguns com problemas bem mais graves do que uma simples dor de dentes.
Certa manhã, o meu vizinho do lado direito, igualmente acamado, entre uma chalaça e um recado sério, diz-me:
— Eh, pá, estás todo amarelo! Tens de ir mijar...
Não me recordo da minha reação exata, mas pela certa respondi-lhe com um pequeno palavrão. Ainda assim, fiquei a pensar no assunto. Sem dar nas vistas, fui mesmo à casa de banho... e apanhei um susto tremendo quando o espelho devolveu a imagem dos meus olhos, "pintados" de um amarelo-torrado!
Fim da história: fui apanhado pelo vírus da hepatite. Mudaram-me imediatamente para o isolamento da enfermaria e por lá fiquei, mimado pelas senhoras do Movimento Nacional Feminino e com direito a visitas da família, de amigos e de uma ou outra "madrinha de guerra".
Recuperei e fiquei como novo! E o dente? Foi coisa de que me esqueci completamente. Das "férias", disso não me esqueço mais!

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